Primeira gravação de uma moda de viola caipira, 1.929

“Jorginho do Sertão” foi a primeira moda de viola gravada no Brasil. Isso em 1.929. Jorginho do Sertão faz parte do folclore paulista e foi adaptada por Cornélio Pires, grande incentivador da cultura caipira e folclorista, e interpretada por Caçula e Mariano, com gravação em disco de 78 rotações (ou rpm). Como sempre, as modas de viola contam uma história. Nesse “causo” tudo se passa em uma carpa de café, provavelmente no velho Oeste Paulista. O Jorginho lá do Sertão, rapazinho inteligente, queria casar-se com as filhas do patrão. E um dos meios de se conseguir isso era provar que conseguia sustentar uma família no “cabo da enxada”. Era preciso conquistar o pai da pretendente primeiro, demonstrando que era trabalhador. O patrão gostou do serviço do moço e resolveu oferecer suas filhas em casamento. As três filhas se apresentaram, cada uma com suas qualidades, mas o Jorginho, esperto como só, queria casar-se com as três de uma vez. Impedido de tal intento, o Jorginho montou no seu cavalo e foi-se embora: “Não posso casá cum as treis, eu num caso cum nenhuma”.

A cultura paulista é riquíssima e ajuda a contar a história e costumes de nossa gente.

Letra: cantiga popular do folclore paulista
Adaptação: Cornélio Pires
Interpretação: Caçula & Mariano
Data: 1929
Gravadora: Columbia
Acervo: Discoteca Pública Municipal – Oneyda Alvarenga – Centro Cultural São Paulo

JORGINHO DO SERTÃO

O Jorginho do Sertão
Rapazinho de talento
Numa carpa de café
Enjeitô treis casamento
Logo veio o seu patrão
Cheio de contentamento
(tenho treis filhas "sorteira que
Ofereço em casamento)
Logo veio a mais nova
Vestidinho cheio de fita
Jorginho case comigo
Que das treis
Sô a mais bonita
Logo veio a do meio
Vestidinho cor de prata
Jorginho case comigo
Ou então você me mata
Logo veio a mais véia
Por ser mais interesseira
Jorginho case comigo
Sou a mais trabaiadeira
Jorginho pegou o cavalo
Ensilhô na mesma hora
Foi dizê pra morenada
Adeus que eu já vou me embora
Na hora da despedida,
Ai, ai, ai
É que a morenada chora
Ai, ai, ai
O Jorginho arresorveu
É melhor que eu mesmo suma
Não posso casá cum as treis, ai
Eu num caso cum nenhuma.