Uma foto antiga de Cunha

Foto da cidade de Cunha, em 1932, publicada na Revista da Semana (RJ), na edição n.º 45, de outubro de 1932, na página 23. A legenda é a seguinte: “Vista geral de Cunha diante de cuja cidade se detiveram encarniçadamente, durante quasi todo o tempo da luta, os exércitos combatentes”. Cunha foi um dos principais palcos de batalha daquela guerra civil.

Finda a Revolução de 1932, a Revista da Semana retratou de várias formas os dias de combate, o cotidiano das tropas combatentes e das cidades paulistas. Várias cidades do Vale foram retratadas. A revista fez uma reportagem, no estilo fotojornalismo, uma novidade na época, sob o título de “O movimento revolucionário em S. Paulo”. A reportagem ocupou, por várias edições, as páginas do periódico em 1932, mostrando fotos de ambos os lados que estiveram em confronto.

A Revista da Semana foi um periódico ilustrado de variedades fundado por Álvaro de Tefé, no Rio de Janeiro. Circulou pela primeira vez em 1900 e foi extinta em 1959. Segundo Carolina Vianna Dantas, pesquisadora do CPDOC/FGV, “mesmo com um projeto editorial voltado para o público feminino, a Revista da Semana não deixou de abordar temas relativos à política nacional. Durante a Primeira Guerra Mundial, por exemplo, combinou temas amenos, como o veraneio elegante em Petrópolis, com a realidade da guerra em seu aspecto mais duro”.

Capa da Revista da Semana (RJ), edição n. 45, de 22 de out. de 1932. Fonte: Biblioteca Nacional.

A qualidade da foto, por ser uma cópia de uma página de revista, infelizmente, é ruim. Mas é possível identificar as principais construções que existiam na época, ainda uma cidade de casas coloniais, com suas duas igrejas barrocas.

O local da tomada da foto, pela posição, parece ser o bairro do Alto Cruzeiro, onde hoje é a Santa Casa, que não existia na época. Ou a Estrada Cunha-Paraty, não dá para afirmar com certeza.

Referências:
Revista da Semana 1900 a 1959 – Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional;
Verbete REVISTA DA SEMANA – CPDOC/FGV.

O elemento feminino na Revolução de 1.932

Tela exaltando a participação feminina na Revolução de 1932.

Realmente é impressionante a capacidade de mobilização feminina durante o movimento armado de 1.932, maior guerra civil brasileira no século XX. Elas fizeram a intendência, os serviços médicos e a logística do conflito funcionar. Sem elas, o movimento que durou 3 meses não duraria 3 dias. A rapidez e a eficiência com que assumiram papéis até então considerados masculinos demonstrava, na época, o absurdo que era privá-las da vida política e restringi-las ao ambiente doméstico. Somente em 24 de fevereiro de 1932, o Código Eleitoral passou a assegurar o voto feminino; todavia, esse direito era concedido apenas a mulheres casadas, com autorização dos maridos, e para viúvas com renda própria. Essas limitações deixaram de existir apenas em 1934, quando o voto feminino passou a ser previsto na Constituição Federal. Carlota Pereira de Queirós foi uma médica, escritora, pedagoga e política brasileira. Foi a primeira mulher brasileira a ser eleita deputada federal. Ela participou dos trabalhos na Assembleia Nacional Constituinte, entre 1934 e 1935.

Uma entre eles: a paulista foi a única eleita Carlota Pereira de Queirós em 1933, para a Assembléia Nacional Constituinte, na legenda da Chapa Única por São Paulo.

Na Revolução Constitucionalista de 1932, ocorrido em São Paulo, Carlota organizou e liderou um grupo de 700 mulheres para garantir a assistência aos feridos. Assim, teve valiosa participação, lutando pelos ideais democráticos defendidos por São Paulo. Ingressando na política, foi a primeira deputada federal da história do Brasil. Eleita pelo estado de São Paulo em 1934, fez a voz feminina ser ouvida no Congresso Nacional. Seu mandato foi em defesa da mulher e das crianças, trabalhava por melhorias educacionais que contemplassem melhor tratamento das mulheres. Além disso, publicou uma série de trabalhos em defesa da mulher brasileira. Ocupou seu cargo até o Golpe de 1937, quando Getúlio Vargas fechou o Congresso.

Cartaz convocando voluntárias para atuar no serviço médico do Exército Constitucionalista.

Em 1932, mais de 72 mil mulheres atuaram no movimento armado contra o governo provisório de Getúlio Vargas. E não foram só enfermeiras e cozinheiras. Alguma foram para as trincheiras, como a professora Maria Stella Sguassábia, que vestiu a farda de um soldado desertor, e Maria José Bezerra, conhecida como Maria Soldado, que só descobriram que era mulher após e ser ferida e receber atendimento médico. Com o fim da Revolução de 1932, o direito ao voto feminino foi reconhecido e o Brasil passou por um processo redemocratização, tal como queriam os paulistas. A permissão para votar ainda estava longe de ser ideal, mas já era uma conquista. O direito ao sufrágio era restrito às mulheres casadas que tivessem a autorização do marido e às solteiras e viúvas, desde que com renda própria. O voto pleno e obrigatório como direito de todas as mulheres foi instituído pela Constituição de 1946, após o fim da ditadura do Estado Novo (1937-1945).

Para saber mais:

Reportagem da TV Globo contando a história da combatente paulista Maria Stella Sguassábia.
Vídeo demonstrando a participação feminina na Revolução de 1.932, ao som da marchinha “Paulistinha querida”.

Exposição virtual do MIS:
A mostra “A mulher na Revolução de 32” reúne 32 imagens e áudios exclusivos do Acervo do Museu da Imagem e do Som (MIS) e fica disponível gratuitamente online na plataforma Google Cultural Institute. A exposição visa revelar o papel da mulher no momento em que o estado de São Paulo se rebelava contra a ditadura de Getúlio Vargas. Link abaixo:

https://artsandculture.google.com/exhibit/a-mulher-na-revolu%C3%A7%C3%A3o-de-32-museo-da-imagem-e-do-som/6wJSXg7DS8ZpKg?hl=pt-BR