Livro: “Cerâmica em Cunha: 40 anos do forno noborigama no Brasil”

Mais uma obra comemorativa e publicitária sobre os ceramistas de Cunha. Produzida em 2015 e publicada em 2016 pelo Instituto Cultural da Cerâmica de Cunha (ICCC), em conjunto com a Secretaria de Turismo de Cunha, a obra segue as pegadas da publicação anterior sobre os ceramistas de Cunha, fazendo um documentário histórico, biográfico e artístico, no mesmo estilo da publicação feita na década anterior.

Capa do livro “Cerâmica em Cunha”, com textos de Liliana de Morais e fotos de Johnny Mazzilli.

Sob a coordenação artística de Laurentino Gonçalves Dias Júnior, com pesquisa e textos de Liliana Granja Pereira de Morais e belíssimas fotografias de Johnny Mazzilli, saiu mais uma obra do forno sobre a cerâmica de Cunha.

A publicação segue a mesma senda da anterior. No princípio, apresenta o testemunho de Alberto Cidraes, testemunha ocular da história em primeira pessoa, pois está entre no grupo de pioneiros. No seu relato ele deixa claro: escolheram Cunha porque ficava no eixo Rio-São Paulo e isso facilitava a comercialização das suas obras. Além do mais, foram bem recebidos pelas autoridades cunhenses: receberam um espaço para criar um ateliê coletivo. Um antigo e abandonado matadouro. Pensando bem, um “presente de grego“. Mas que no fim das contas acabou dando certo. Nenhum cavalo de Troia é suficiente para derrotar o talento.

A obra segue apontando as especificidades da cerâmica moldada e queimada em Cunha, o fogo do forno Noborigama, um estrangeiro que se adaptou bem aos trópicos, encaipirando-se por completo no coração da Paulistânia. Delineia os principais fatos históricos relacionados ao grupo de pioneiros e o contexto local. Apresenta o processo de estabelecimento dos primeiros ateliês individuais, as estratégias de comercialização artística adotadas pelos ceramistas, a necessidade de alavancar o turismo em Cunha, feito em que foram bem-sucedidos. Trata do Noborigama, o ícone, e expõe os processos criativos de uma peça cerâmica, da retirada da argila até a queima.

Há, como na obra anterior, breves biografias dos ceramistas de Cunha, com foto deles e de suas criações. Uma forma de mostrar a pluralidade de concepções artísticas que apresenta a cerâmica de Cunha atualmente e também de apresentar muitos filhos da terra, jovens que ingressaram na cerâmica e hoje já produzem e expõem suas peças. Eis o legado da cerâmica, eis o legado o Instituto Cultural de Cerâmica de Cunha (ICCC)

A novidade nessa obra é mesmo o ICCC , um instituto pedagógico que teve o instinto de perceber a importância de formar uma nova leva de ceramistas locais, focando nos mais jovens, nos estudantes, para aqueles que Cunha oferece tão poucas oportunidades. A criação desse instituto demonstra a responsabilidade social dos ceramistas e amor que nutrem pela nossa terra; terra em um sentido muito mais amplo do que fonte de argila. Terra como torrão, como chão, como lar, como pátria. O legado para Cunha será mais riquíssimo porque já está sendo e dando resultados. O epílogo é uma esperança, um sonho. E tudo se fecha em um glossário.

O livro pode ser lido on-line.

Livro “30 anos de cerâmica em Cunha”

Livro comemorativo sobre os 30 anos da chegada dos primeiros ceramistas a Cunha, produzido pelos protagonistas Mieko Ukeseki e Alberto Cidraes e com o apoio da CunhaTur e da Prefeitura de Cunha. A obra saiu em 2005, “Ano da Cerâmica em Cunha“, comemorado em função das três décadas passadas desde a instalação do primeiro forno Noborigama na Estância Climática.

Capa do livro editado e produzido sob a coordenação da ceramista Mieko Ukeseki.

O livro é um documentário sobre a cerâmica de alta temperatura desenvolvida em Cunha. Traz um relato histórico, com fotos e detalhes da chegada do primeiro grupo ceramistas, a introdução do forno oriental Noborigama (icônico) as razões de terem vindo parar aqui, uma das “cidades mortas” do Vale do Paraíba e a instalação do primeiro ateliê coletivo, no antigo e decrépito Matadouro Municipal, espaço cedido ao grupo de nômades (em processo de sedentarização) pelo ex-prefeito Zelão. Os progressos artísticos e experimentais de cada ceramista, culminando na conquista de novos espaços, com as aberturas de fornada, gérmen do turismo cunhense.

Há também uma breve biografia dos vários ceramistas instalados em Cunha no ano de 2005, apresentando juntamente algumas fotografias de peças artísticas produzidas pelas mãos, imaginação e sensibilidade talentosa de cada um. E não se esqueceram das paneleiras de Cunha. Mulheres hábeis no trato da argila, produtoras de peças utilitárias, cujo saber, transmitido de forma hereditária, remonta à ancestralidade dos povos originários.

Enfim, um interessante e necessário documentário, demonstrando como a “cidade morta” e barroca, perdida entre três cordilheiras, se transforma no maior polo da América do Sul de cerâmica de autor.

O livro pode ser lido on-line.