
Como se fazia a argamassa em Cunha no século XIX?
Observe a foto acima, que mostra o detalhe de uma coluna estrutural de uma casa rural cunhense de meados do século XIX. Nota-se a argamassa constituída por rochas (gnaisse e granito alterado) disformes, encaixadas manualmente com o auxílio de argila e areia. A estrutura geológica do embasamento cristalino, sobre a qual se assenta o território municipal, torna essas rochas resistentes especialmente abundantes, o que permitiu o seu uso na construção civil rústica e rural cunhense.
Percebem-se, ainda, fragmentos de conchas marinhas. Elemento inusitado na construção civil atual, as conchas foram a solução regional para a inexistência de cal industrial ou cimento naqueles tempos. Trazidas do litoral (Paraty e Ubatuba) em jacás pelos tropeiros, as conchas eram trituradas ou queimadas e adicionadas ao barro. Sua função primordial era fornecer o carbonato de cálcio necessário para que a argamassa fosse eficaz e resistente, já que, no Brasil Colônia e no Império, não havia cimento industrial nem depósitos de calcário de fácil acesso.
Além de resistência, as conchas conferiam volume e aderência à mistura, permitindo, assim, que as colunas sustentassem os casarões ao longo do tempo, até os dias de hoje. Infelizmente, poucos exemplares restam preservados em nosso extenso município, historicamente rural.
