Cunha, carvão e milho

Na década de 1940, a fim de conhecer o Brasil e fazer uma nova regionalização do país, o recém-fundado IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) organizou diversas expedições por todos os rincões do território nacional. Nessas expedições coletavam dados, tiravam fotos, analisavam rochas e o relevo, confeccionavam mapas e croquis, entrevistavam pessoas e, assim, obtinham um panorama geral dos lugares por onde passavam. Em um período analógico, com comunicações limitadas e anterior a era do sensoriamento remoto, essas expedições eram o meio mais eficaz de obter informações geográficas de uma porção do território. Geralmente, contavam com geógrafos, geólogos, cientistas sociais e outros profissionais de áreas afins. Uma dessas expedições passou por Cunha. Foi realizada entre os dias 29 de outubro e 2 de novembro de 1943 e foi liderada pela professora Mariam Tiomno. Partiu de Guaratinguetá, passou por Cunha e Paraty e terminou em Angra dos Reis. O relatório foi publicado no Boletim Geográfico do IBGE, em 1944. Sobre o município de Cunha foi relatado o seguinte:

“As várzeas são aproveitadas para plantio do arroz e as encostas para mandioca. O arroz também se desenvolve nas encostas por ser úmida a região. Notam-se, ainda, culturas associadas de milho e feijão. Continuando a viagem, atinge-se a fazenda d do Sr. Jose Verresqui, onde se dá a confluência do rio Cedro com o Paraitinga numa várzea larga bem cultivada. O caminho segue depois o rio Sapê, que consta na carta como rio Facão. O vale é profundo e encaixado entre as colinas. Nas encostas dominam os pastos onde ocorrem, às vêzes, capões fechados. No vale há pequenas plantações de milho, feijão e arroz. Do alto vê-se bem a grande regularidade daquela superfície de erosão muito antiga.

Croqui da Estrada Cunha-Guaratinguetá, atual Rodovia Paulo Virgínio (SP – 171), no final dos anos 1940. Autor: Carlos Borges Schmidt. Fonte: Boletim Paulista de Geografia, 1950.

Em Teodoro Cassinho passa-se para a vertente do Jacui; o antigo nível de erosão é marcado pelos seixos bem rolados vistos na margem da estrada. A vegetação apresenta-se mais abundante e exuberante. O feto arborescente surge pela 1ª vez. Encontra-se a araucária em grande quantidade. É bem observada a derrubada de árvores para produção do carvão vegetal exportado para o Rio, na razão de 3.000 sacas por mês.

O hábito de preparar a terra em ‘mutirão’ ou ‘butirão’ é aí notado. Pelo vale do rio Facão, que a estrada acompanha desde Curralinho, atinge-se Cunha. O vale apresenta-se bastante aprofundado e os sucessivos ciclos de erosão são marcados em Curralinho por níveis de seixos rolados. Nas margens do rio cultiva-se o trigo para consumo local.

As maiores produções do município são o carvão de madeira e o milho.

A sua exportação é, entretanto, pequena por ser empregado na alimentação do gado, principalmente suíno. Cêrca de 40.000 cabeças são exportadas anualmente. Dos produtos agrícolas o mais exportado é o feijão, depois a batatinha.

A produção se escoa pela estrada de Guaratinguetá. Há um comércio muito rudimentar com Parati; Cunha envia-lhe feijão e toucinho e recebe em troca peixe e parati. Êsse intercâmbio não se pode desenvolver pela carência de estradas. Cessando o movimento das tropas de Minas e São Paulo para Parati, passando por Cunha, a estrada ficou completamente abandonada não restando atualmente quase nada da mesma.

Cunha, situada sôbre um pequeno esporão, numa altitude de 960 metros, possui cêrca de 250 casas, tôdas antigas, inclusive a Igreja, e uma população de 1.100 pessoas. Goza de um clima temperado e de um regime de chuvas de verão e sêca no inverno. As chuvas vão de novembro a janeiro e são frequentemente acompanhadas de trovoadas e de fortes ventanias. A geada é aí outro fator climático importante, os seus efeitos se fazem sentir até o mês de novembro, daí não plantarem café.

Rua Dr. Casemiro da Rocha, centro de Cunha. Foto: Mário de Sampaio Ferraz. Data: 1940.

De Cunha para Parati segue-se de início pela estrada de rodagem de Tabuão, antigo caminho das tropas melhorado durante a revolução de 1932. O caminho atravessa o morro do Apertado donde se divisam dois ciclos de erosão, um cortando as camadas e formando a peneplanície e outro constituído pelo vale. Entre êles há esporões intermediários, num dos quais situa-se a cidade de Cunha.

A vegetação se caracteriza por uma espécie de cerrado conhecido com o nome de ‘carrascal’.

Vêem-se plantações de feijão que abrangem grandes áreas, pequenas culturas de arroz e campos de pastagens com capim gordura.

No bairro de São José da Boa Vista, existe uma capela aonde, nos períodos de grande sêca, os moradores vão em romaria orar para que chova.

Adiante, atinge-se o morro do Divino Mestre, numa altitude de 1.500 metros, distingue-se num 1º plano a peneplanície dissecada muito confusa. Apresenta níveis intermediários, num dos quais se vê a cidade de Cunha. Nessa peneplanície de 900 a 1.000 metros de altitude há um tipo de rocha homogênea, gnaisse-granítico, que exerce ação determinante na disposição de rêde hidrográfica, em ‘pata de ganso’. (…)”

Além do ciclo econômico do carvão, pelo qual Cunha passou e é pouco lembrado, outras dados interessantes trazidos por esse relatório são: a importância que a suinocultura para Cunha; o cultivo de arroz nas áreas de várzea, atualmente, desaparecido; a existência de manchas de Cerrado em nosso município (“carrascá”, na linguagem popular), recentemente confirmadas por uma pesquisa sobre botânica; o casario colonial da cidade ainda intacto; a relação umbilical existente entre Cunha e Paraty, complementando-se; a péssima situação da Estrada Cunha-Paraty, grande gargalo para o desenvolvimento local.

O prefeito de Cunha na época (Antonio Accacio Cursino) pediu aos geógrafos que levassem a situação dessa estrada ao conhecimento dos políticos da capital, que era o Rio de Janeiro; e por fim, a mais importante observação dessa expedição, que mudou a interpretação geomorfológica sobre o Domínio dos Mares de Morros, pois ficou claro nessa expedição que esse tipo de relevo evolui e foi dissecado ao longo do tempo pelo forte processo erosivo ao qual é submetido devido às condições climáticas tropicais.

Estrada Cunha-Paraty, em seu trecho fluminense, sem calçamento. Acervo: Prefeitura Municipal de Paraty. Data: década de 1940.

O ciclo do carvão vegetal, que se encerrou no final da década de 1960, foi responsável pela devastação dos últimos remanescentes de Mata Atlântica original em nosso município. Também foi o responsável pelo desbravamento do então Sertão do Rio Paraibuna. Havia carvoarias e serrarias onde, atualmente, é a sede do núcleo de Cunha, do Parque Estadual, no bairro da Paraibuna. Esse ciclo só foi freado e encerrado com o advento do Código Florestal, em 1965, e posteriormente, com a criação do Parque Estadual da Serra do Mar, em 1977, que não só resguardou o que restou da Mata Atlântica em Cunha, como recuperou parte da área que foi devastada, com práticas eficazes de reflorestamento. Os grandes veículos de nosso estado, como a “Folha de São Paulo” e “O Estado de São Paulo”, também foram responsáveis pela feliz finalização desse ciclo em Cunha, pois realizaram nos anos de 1960 e 1970 diversas matérias denunciando a destruição da Mata Atlântica nos sertões do Vale do Paraíba, apontando o sertão do rio Paraibuna como uma área sob ataque da sanha devastadora das madeireiras e carvoarias.

Imagem de capa: montagem ilustrativa, com fotos retiradas de banco de imagens.

Paranapiacaba: origem e evolução da Serra do Mar

A Serra do Mar – a “Paranapiacaba”, na língua tupi, que significa “lugar de onde se vê o mar”, através da junção de paranã (mar), epîak (ver) e aba (lugar), conforme tradução de Frei Gaspar da Madre de Deus – não é uma cordilheira, um dobramento moderno como é o Andes. É uma cadeia de montanhas alinhadas. Não por acaso, foi entendida pelos colonizadores portugueses, tão afeitos ao Medievo, como uma muralha.

Relevo de origem complexa, sobreposição de diversos eventos geológicos marcam sua evolução. Sua estrutura geológica aponta para formação do antigo continente Pangeia (há 300 milhões de anos) e para a traumática separação da Gondwana (180 milhões de anos), que resultou no nascimento da América do Sul e da África. Esse relevo escarpado, aliás, é herança dessa separação.

Mas não só isso. O tectonismo foi intenso, de modo que a parte mais alta desse relevo antigo foi totalmente destruída e foi se depositar no fundo do mar ou na Bacia Sedimentar do Paraná. O que vemos hoje da Serra do Mar, seus pontões rochosos, é uma belíssima exposição natural de rochas graníticas que foram formadas a 30 quilômetros de profundidade. O intemperismo e os sucessivos processos erosivos foram esculpindo esse relevo, salientando as rochas mais resistentes. As rochas mais fracas não tiveram vez. Viraram sedimentos.

Ranhuras erosivas fazem parte da paisagem natural, mesmo em áreas cobertas de Mata Atlântica. São resultantes dos altos índices pluviométricos, condicionados pela proximidade com o oceano e pela altura das montanhas, que ultrapassam com folga a cota dos 1.000 metros, combinados com a declividade acentuada, por vezes abrupta, de suas escarpas. O solo raso, sustentado por lajedos, são incapazes de manter-se incólume nesses lugares. Todos esses processos geológicos recobertos por floresta tropical resultaram em uma paisagem de beleza cênica ímpar, de cartão-postal, como a mostrada acima, no município de Morretes (PR).

Duas falhas transcorrentes pré-cambrianas perlongam a Serra do Mar e seu reverso. Geólogos interpretam as escarpas da serra nesse trecho como resultado de abatimentos e basculamentos de blocos de falha. Dada a continuidade topográfica da Serra do Parati com o planalto, é provável que elas representem a parte frontal de erosão remontante da borda do planalto entre os dois maciços resistentes dos promontórios sustentados pelas rochas alcalinas da ilha de São Sebastião e o granito do Parati.

Origem e evolução da Serra da Mantiqueira e da Serra do Mar. Fonte: Revista Pesquisa FAPESP. Data: 2021.

Para o geógrafo Daniel Souza, do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP),  a Serra do Mar e da Mantiqueira foram “moldadas por incessantes movimentos da superfície e pela erosão causada por rios e pelo clima, principalmente a chuva”. O geólogo Claudio Riccomini, do Instituto de Geociências da USP, acrescenta: “além do clima, há uma forte influência dos movimentos tectônicos, mesmo nos últimos 20 mil anos, na modelagem e na erosão do relevo”. Essas serras já foram uma só, há 130 milhões de anos, quando se formaram, conforme mostra o infográfico acima. Chegaram a atingir incríveis 4 mil metros de altitude! (hoje, não chega a 3 mil…). Mas nada dura para sempre. Tremores sísmicos intensos estremeceram a ligação e o divórcio foi inevitável. Desse distanciamento surgiu o Vale do Paraíba, abertura propícia para o acúmulo de sedimentos oriundos da erosão das duas serras. Esse acúmulo gerou a chamada Bacia Sedimentar de Taubaté, importante feição geológica de rifteamento no Brasil. Há 15 milhões de anos, os rios Paraitinga e Paraibuna, que encorpavam o volume do rio Tietê, foram, finalmente, capturados por esse vale novo, mudando de rumo, e direcionando para o Rio de Janeiro, como é atualmente.

A separação dessas serras trouxe três consequências:

  • A formação de reservas de petróleo nas bacias sedimentares de Santos e Campos, localizadas no litoral dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro;
  • Uma nova configuração da rede hidrográfica regional, separando as bacias do Paraíba do Sul e a do Tietê, pelo soerguimento do chamado Alto Estrutural de Arujá;
  • Vicariância, pois a separação de comunidades de animais e plantas, favoreceu a formação de novas espécies.
Na foto, ao fundo, vê-se a Serra dos Três Picos, com altitudes que variam entre 1.500 – 1.600 metros, dentro do município de Paraty. Captura tomada da Estrada Cunha-Paraty (RJ-165).

A evolução não para. As encostas do Serra do Mar continuam erodindo, se desgastando. A serra vai se distanciando do mar, ampliando a planície costeira.

Foto de capa: mapa “Brasile Centrale” (parcial), autor: Herbet Bayer, Instituto Geographico de Agostini (1952).

Cunha e suas águas minerais

Nos idos de 1875, as fontes de águas minerais de Cunha já eram conhecidas no estado de S. Paulo. Engana-se, portanto, quem pensa que elas foram descobertas no século XX. Em sua obra “A província de S. Paulo: trabalho estatístico, histórico e noticioso”, publicado em 1875, escrita pelo senador Joaquim Floriano de Godoy (1826 – 1907), ao descrever as fontes de águas minerais paulistas conhecidas, aponta: “Só são conhecidas algumas fontes e entre estas as do municipio de Cunha, de agua ferrea, e em S. João Baptista uma fonte thermal sulphurosa na vertente paulista da serra de Caldas da provincia de Minas Geraes”. Alguns anos depois, em 1882, através de um ofício endereçado à Assembleia Provincial, a Câmara de Cunha cita que “no lugar denominado Pedra Branca”, na então Freguesia de Campos Novos, havia uma fonte de água que “na crença popular diz ser milagrosa”, de “gosto nauseante”, de temperatura “em certas ocasiões mais sensivelmente elevada que o ambiente”, porém ainda desprovida de uma “análise qualitativa” que determine suas propriedades físico-químicas.

Parte do ofício da Câmara da Cidade de Cunha, destinado à Assembleia Provincial de S. Paulo, relatando a existência de águas minerais em nosso município. Fonte: ALESP. Data: 1882.

A fama da água de Cunha se espalhou pela província de tal forma, que chegou aos ouvidos do endinheirado empreendedor Barão da Bocaina, o Francisco de Paula Vicente de Azevedo, que era aficionado por lugares que possuíam fontes de água mineral. Em 1912, ele adquiriu as terras da região, comprando a “Fazenda Jaboticabal”, criando, assim, a “Companhia Águas Mineraes Santa Rosa”. Seu projeto era criar uma cidade no entorno das nascentes, a exemplo do que fora feito em Campos do Jordão, empreendimento urbano patrocinado e dirigido pelo Barão.

Visita do Marechal Mallet, então Ministro da Guerra, em janeiro de 1902, a São Francisco dos Campos, em terras do Barão da Bocaina, que aparece em primeiro plano. Foto e Descrição: Fundação Christiano Rosa (Piquete – SP).

Na década de 1940, Cunha lutaria, com o apoio de alguns deputados, junto ao Governo Estadual, para se tornar uma Estância Hidromineral. As outras cidades, que já detinham esse título, pressionaram politicamente o governador e os deputados, a fim de barrar o intento cunhense. Obtiveram sucesso. Como prêmio de consolo, Cunha recebeu o título de Estância Climática, em 28 de outubro de 1948. Tarde demais para se tornar uma cidade-sanatório. A penicilina já havia chegado ao Brasil, por meio do pesquisador Henrique de Souza Filho, (do Instituto Oswaldo Cruz), em 1943. Ele foi responsável por realizar os primeiros experimentos com o antibiótico fora da Inglaterra, onde foi descoberto por Alexander Fleming. Esse remédio trouxe um impacto significativo na saúde pública, permitindo o tratamento de diversas doenças infecciosas, entre elas a tuberculose, que antes eram consideradas graves e muitas vezes fatais. As cidades sanatoriais, de “clima salubérrimo” (como gostava de adjetivar Cunha o entusiasta João Lellis Vieira, em sua coluna no “Correio Paulistano”), foram aposentadas.

Recorte do diário “Correio Paulistano”, de 28 jul. 1940, p. 3, em um dos muitos artigos que Lellis Vieira apresenta Cunha como a “Suíça Brasileira”. Fonte: Biblioteca Nacional.

Aliás, digna de nota é a batalha inglória, que João Lellis Vieira (Cunha, 15 de julho de 1880 – São Paulo, 5 de junho de 1949), diretor do Arquivo Público do Estado de São Paulo de 1938 a 1947, travaria nas colunas do “Correio Paulistano”. O cronista ergueu o estandarte de Cunha como a legítima “Suíça Brasileira”, insígnia disputada com Campos do Jordão. O “Correio Paulistano” foi o órgão oficial do Partido Republicano Paulista (PRP), partido que durante muitas décadas reinou em São Paulo. Cunhense, antigo perrepista, católico praticante, historiador e poeta, Lellis Vieira era graduado pela Faculdade de Filosofia de São Bento e membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Nomeado pelo governador Ademar de Barros, dirigiu o Arquivo Público até 1947, quando assumiu o Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo, ocupando esse cargo até falecer. Campos do Jordão, cidade situada no alto da serra da Mantiqueira, venceu essa batalha, ficando famosa e sendo reconhecida como a “Suíça Brasileira”.  O próprio governo estadual construiu lá o seu palácio de inverno (“Palácio Boa Vista”) encerrando, assim, a questão.

Página do livro “A província de S. Paulo: trabalho estatístico, histórico e noticioso”, publicado em 1875, escrita pelo senador Joaquim Floriano de Godoy, que cita as águas minerais de Cunha. Fonte: Acervo digital da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM).

Foi somente em 1975 que a água mineral de Campos de Cunha passou a ser comercializada. A iniciativa veio do empresário Ghisleni Giulio, que adquiriu a fazenda nos anos de 1960. A “Águas Virtuosas Santa Rosa”, como era conhecida, em pouco tempo conquistou muitos fregueses devido à sua composição mineral, leveza e alto grau de pureza. Atualmente, é comercializada com o nome “Serras de Cunha” e pertence ao grupo “Águas Prata”.

Sob o território cunhense existe um reservatório de água com mais de 550 milhões de anos. É o Aquífero Cristalino, formado pelas rochas mais antigas do estado de São Paulo. O Cristalino aflora na parte leste do estado, cobrindo uma área de aproximadamente 53.400 km², conforme mostra o mapa acima. Ele está presente em outros municípios como Campos do Jordão, Águas de Lindóia, Jundiaí, Iporanga e até na Região Metropolitana de São Paulo.  O Aquífero Cristalino é composto por rochas ígneas e metamórficas — tipos de rochas muito resistentes, formadas em condições extremas de temperatura e pressão. A água subterrânea no Cristalino se acumula e circula por fraturas nas rochas. Essas fendas surgiram muito tempo depois da formação das rochas, como resultado de movimentos tectônicos, como a separação dos continentes e a formação da Serra do Mar.

Desenho esquemático do Aquífero Cristalino Pré-Cambriano, com suas fraturas. Fonte: Instituto Geológico.

Dependendo do tipo e da quantidade dessas fraturas, o aquífero pode ter maior ou menor vazão. O Cristalino é dividido em duas unidades, sendo a principal o Aquífero Pré-Cambriano, que é o aquele que abrange o nosso município e possui as rochas mais resistentes e antigas. Sua produtividade é geralmente baixa e bastante variável, dependendo da presença de fraturas abertas. Apesar da produtividade variável, a água do Aquífero Cristalino é de boa qualidade e pode ser usada para consumo humano, possuindo diversas fontes minerais em sua área de ocorrência.

Recorte de um mapa com os principais recursos minerais que podem ocorrer em Cunha. Fonte: ANM, 2025.

A água é a principal riqueza mineral de Cunha. De acordo com recente consulta que fizemos à Agência Nacional de Mineração (ANM), a única concessão de lavra que existe em nosso município está outorgada às Águas Prata Ltda. e foi concedida em 1974. Na condição de requerimento ou autorização para pesquisa, além da água mineral, há outros minerais que estão sendo pesquisados por aqui: feldspato, argila, areia, ferro, terras raras, caulim, gnaisse e granito. Na área fronteiriça com o município de Lagoinha há dois requerimentos de lavra da Cerâmica Industrial de Taubaté Ltda. para exploração de caulim.

Foto de Capa: Represa da “Serras de Cunha”, bairro das Águas, Distrito de Campos de Cunha, Cunha – SP. Data: 2024.

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O terremoto de Cunha – 22 de março de 1967

O outono tinha acabado de começar. Um dos verões mais chuvosos da história foi aquele da temporada de 1966/1967, no Sudeste Brasileiro. A cidade de Caraguatatuba foi uma das atingidas por tanta precipitação, com deslizamentos que provocaram a morte de 450 pessoas, devastando a cidade do litoral norte paulista. Cunha, muito embora não tenha sofrido, também viveu uma temporada chuvosa. O Paraíba do Sul extravasava, inundando as cidades do seu Vale.

Tudo começou com um estrondo. Trovão? Impossível, o tempo estava bom naquele 22 de março de 1967. Em seguida, o tremor. Panelas areadas e penduradas tilintando. Quadros caindo. Paredes trincando. A água na bacia de banho começou a se mexer. Não durou mais que 3 segundos, mas o susto foi grande. Como disseram: “parecia uma vertigem, uma tontura”. Não, não era vertigem. Era a crosta terrestre se acomodando. Passava das 21h30 da noite de uma quarta-feira e as famílias de Cunha já se preparavam para ir deitar-se. Muitos foram dormir com medo e sem entender nada.

Exceto na cidade. Relata o jornalista da Folha de São Paulo: “Em Cunha repetiu-se a história [de outras cidades do Vale]: o estouro, que ninguém sabe explicar, o tremor e depois a cidade em pânico”. A Polícia Militar teve que intervir para garantir “a ordem” e botar o povo, com medo, para dentro de casa.

Intensidade

Manchete do jornal Folha de São Paulo noticiando o ocorrido, 23 mar. 1967. Fonte: Acervo Folha.

No dia seguinte, pela manhã, o rádio anunciou: “a terra tremeu no Vale do Paraíba”. O epicentro foi em Cunha. Os sismógrafos da USP mediram o sismo e foi aferida uma magnitude de 4,1 na escala Richter. Em aspectos gerais, um tremor ligeiro, de baixa intensidade; mas para os padrões brasileiros, cuja estrutura se assenta no interior da placa tectônica Sulamericana, é muito. Na Escala de Mercalli-Sieberg, o sismo de Cunha foi classificado na intensidade VII, ou seja, “Muito forte”, com os seguintes efeitos perceptíveis: “Caem muitas chaminés. Há estragos limitados em edifícios de boa construção, mas importantes e generalizados nas construções mais frágeis. Facilmente perceptível pelos condutores de veículos automóveis em trânsito. Desencadeia pânico geral nas populações”.

O sismógrafo do Observatório Nacional, localizado na cidade do Rio de Janeiro, registrou o tremor às 21h13, com uma duração de 80 segundos. A população carioca também sentiu o abalo.

O abalo foi sentido em outras cidades: Caraguatatuba, Ubatuba, Aparecida, Guaratinguetá, Lorena, Lagoinha, Paraibuna, São Luiz do Paraitinga, Paraty, São Sebastião, Ilhabela, Angra dos Reis, Barra Mansa e até na cidade do Rio de Janeiro (de forma menos intensa), como mencionado acima. A população das cidades atingidas pelo abalo ficou apavorada e saiu pelas ruas, principalmente em São Luiz do Paraitinga, Ubatuba e Caraguatatuba, a ponto da polícia precisar intervir para acalmar os ânimos. Coube ao professor de Geologia da USP Viktor Leinz explicar o fenômeno e afastar o temor e o possível nexo entre a chuvarada e o tremor. Explicou que esses fenômenos são raros no Brasil e, quando ocorrem, são de baixa intensidade, causando estragos pequenos. E que são frutos da ação de agentes internos, de forças que agem no interior da Terra, sem relação com a atmosfera e a precipitação elevada do verão de 1967. Em seu livro “Geologia Geral”, ele explica que o estrondo ouvido antes do terremoto se deve a uma refração da onda sísmica, que acontece em terra, no ar, propagando assim uma onda na atmosfera em um comprimento perceptível à audição humana.

Causa

Perfil Geológico da Rodovia Paulo Virgínio – SP -171, mostrando as zonas de cisalhamento entre Guaratinguetá e Cunha. Fonte: Dissertação “O complexo embu no leste do estado de São Paulo: contribuição ao conhecimento da litoestratigrafia e da evolução estrutural e metamórfica”, de Amélia João Fernandes, USP, 1991.

O geólogo e professor do Departamento de Geologia, Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE), da Unesp em Rio Claro, José Alexandre Perinotto, explica que os terremotos, também conhecidos como abalos sísmicos, podem ser ocasionados por atividade vulcânica, falhas geológicas ou pelo encontro de placas tectônicas. No caso do tremor de terra que teve seu epicentro em Cunha, a causa foi falha geológica (fratura na crosta terrestre). Onde há falha, é possível ocorrer novas quebras, dependendo de fatores como o peso, distensão e compressão exercido sobre ela.

O município de Cunha, segundo a geofísica Amélia João Fernandes, é atravessado por três zonas de cisalhamento de falhas geológicas: “Alto da Fartura”, “Santa Rita” e a megafalha “Cubatão”. Perinotto explica que “zonas de cisalhamento são regiões da crosta terrestre nas quais existem um acúmulo de falhas geológicas. São zonas que podem sofrer esse movimento de cisalhar, ou seja, um bloco se deslocar em relação ao outro. Então, essas zonas de cisalhamento têm tudo a ver com os terremotos. Isso porque é ao longo do deslocamento dos planos de falhas que há o dispêndio da energia e, consequentemente, causa-se a vibração, que é o abalo sísmico. Nós chamamos de zona de rifts cenozóicos do sudeste brasileiro. Essa zona é bastante propícia para causar esse abalo e vai continuar causando outros em diferentes magnitudes e intensidades.”

Parte do Mapa Geológico esquemático da Rodovia Paulo Virgínio – SP -171, com destaque (acrescentado) para as zonas de cisalhamento entre Guaratinguetá e e para a cidade de Cunha. Fonte: Dissertação “O complexo embu no leste do estado de São Paulo: contribuição ao conhecimento da litoestratigrafia e da evolução estrutural e metamórfica”, de Amélia João Fernandes, USP, 1991.


Consequências
Além do pânico generalizado na cidade, o abalo sísmico causou muitos estragos, porém, nenhuma vítima fatal ou ferido.

Tanto na zona rural quanto na zona urbana rachaduras apareceram nas paredes das casas e quadros foram derrubados. A região mais atingida pelo terremoto foi o eixo Cunha-Guaratinguetá. No local denominado “Descanso do Machado”, uma árvore de 15 metros foi arrancada do solo. Uma fenda de cerca de 40 centímetros abriu-se no chão. Portão, cercas e varais foram arrancados.


Pela intensidade incomum, lembra Jesus Berrocal, geofísico do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP), o sismo de Cunha serviu de referência para a construção da usina nuclear Angra I, em Angra dos Reis (RJ). Em operação desde 1982, a usina é resistente a um tremor da magnitude daquele que teve seu epicentro Cunha, em 1967, e desliga-se automaticamente, caso o sismo ultrapasse a margem de segurança do projeto (4,1 na escala Richter).

Conclusão
“Não existem locais estáveis. Tudo está se movendo”, diz pesquisador Alloua Saadi, responsável pelo primeiro mapa neotectônico do Brasil, identificando as 48 falhas mestras (principais) que cortam o solo do país. Quem pensa que o Brasil está livre dos terremotos está enganado. Ainda mais o município de Cunha, que é cortado por 3 falhas geológicas. Entretanto, não há razão para alarme. Se acontecer de novo um abalo sísmico em Cunha, vamos levar mais susto do que prejuízo.

Referências:
Geologia Geral, Viktor Leinz e Sérgio E. do Amaral (2003)
O Complexo Embu no leste do estado de São Paulo, Dissertação de Mestrado (USP), Amélia J. O. Fernandes (1991)
O Estado de S. Paulo (1967)
Folha de São Paulo (1967)
Correio da Manhã (1967)
Serviço Geológico do Brasil – CPRM (2014)
Jornal da UNESP (2023)

Santa Rosa, as virtuosas águas de Campos de Cunha

Logotipo utilizado nos galões da Águas Virtuosas de Santa Rosa. Símbolo de qualidade.

Um breve levantamento histórico das “Águas Virtuosas de Santa Rosa”, hoje “Águas Serras de Cunha”. As águas da Fonte Paulista, considerada uma das melhores do Brasil, voltou a ser engarrafada. Mais que uma fonte geradora de empregos, trata-se um motivo de orgulho para todos os cunhenses.

Século XIX – Em ofício endereçado à Assembleia Provincial solicitando recursos, em 1882, a Câmara de Cunha cita que “no lugar denominado Pedra Branca”, na então Freguesia de Campos Novos, havia uma fonte de água que “na crença popular diz ser milagrosa”, de “gosto nauseante”, de temperatura “em certas ocasiões mais sensivelmente elevada que o ambiente”, porém ainda desprovida de uma “análise qualitativa” que determine suas propriedades físico-químicas.

Década de 1910 – Moradores de Cunha e Campos Novos costumavam fazer excursões para as “Águas”, para beber nas suas fontes, engarrafá-la e até nela se banhar, crendo ser o líquido portador de moléculas milagrosas. A fama da água se espalha pelo Vale e chega aos ouvidos do endinheirado empreendedor Barão da Bocaina, o Francisco de Paula Vicente de Azevedo. Assim que soube das fontes minerais, comprou as terras onde se localizavam as minas. Passava, então, o local a ser denominado por “Águas do Barão”. Era natural de Lorena (SP), mas já época morava em São Paulo (SP). O Barão possuía terras em diversos municípios da nossa região e do Sul de Minas. Pioneiro na introdução do trabalho livre no Vale, estabeleceu diversas colônias agrícolas para imigrantes, com destaque para a de Quiririm, em Taubaté, e para a de Canas, hoje município. Em São Paulo, capital, tonou-se banqueiro, investidor e empresário. Chegou a participar do governo do guaratinguetaense Rodrigues Alves, quando este esteve na Presidência. Esteve sempre envolvido com projetos modernizadores, copiando o que podia da Europa. Em 1861 adquiriu uma grande propriedade de terra na Serra da Mantiqueira, introduzindo uma fazenda-modelo, que veio a se chamar “São Francisco dos Campos do Jordão”. Anos depois, já famosa, tornar-se-ia na primeira estância climática e cidade sanatório, visando o tratamento de tuberculosos. E ainda introduziu nessa sua fazenda o cultivo de frutas europeias. Parecia ser similar o seu projeto para as fontes de água mineral da Pedra Branca, rebatizada por ele, posteriormente, como católico fervoroso que era, como “Águas de Santa Rosa”.

1912 – É organizada a “Companhia Águas Mineraes Santa Rosa”, em Campos Novos de Cunha.

1 de dezembro de 1912 – A “Companhia de Águas Mineraes de Santa Rosa”, do Barão da Bocaina, compra a Fazenda Jaboticabal, espólio de Laurindo Umbellino dos Santos Pinto, com 150 alqueires de terra, aumentando a propriedade da Companhia, que já tinha domínios no lugar. Essa ampliação era fruto da ambição do Barão de levantar no bairro uma nova cidade, uma estância hidromineral, parcelando o solo, levantando casas e hotéis e criando serviços de abastecimento e distribuição das águas minerais.

28 de dezembro de 1913 – Após receber infraestrutura, é fechada à visitação pública a primeira fonte das “Águas Mineraes de Santa Rosa”.

28 de outubro de 1915 – Instrução Pública: É criada pela Assembleia Legislativa de São Paulo uma Escola Rural Mista no Bairro das Águas Virtuosas de Santa Rosa, município de Cunha.

1915 – Entra no orçamento estadual, por indicação do deputado estadual Dr. Casemiro da Rocha e outros da região, a construção de uma estrada ligando Lorena à estação das “Águas Virtuosas de Santa Rosa”.

1916 – Iniciam-se as obras de infraestrutura turística na fazenda das “Águas Virtuosas de Santa Rosa”, tendo à frente o arquiteto francês radicado em Cunha Cyrille Loviat, o mesmo que construiu o Grupo Escolar de Cunha e o Mercado Municpal. A ideia inicial era construir um hotel e um posto policial. O zelador da fazenda era o sr. Bernardino Alves Ferreira.

6 de agosto de 1919 – nomeada, por decreto estadual, a primeira professora da Escola Rural Districtal das “Águas Virtuosas de Santa Rosa”, a saber: Professora Gesséa Dias Corrêa, aprovada em concurso público.

1918 – Requer o Barão da Bocaina, junto ao Governo Federal, a reconstrução da estrada Lorena-Mambucaba, que passava pelo distrito de Campos de Cunha.

1919 – É votado, para o orçamento de 1920, por indicação do deputado Dr. Casemiro da Rocha, a restauração da estrada que ligava a fazenda das “Águas” ao porto de Taquary, município de Paraty, estado do Rio de Janeiro.

1 de janeiro de 1920 – O bairro das “Águas” recebe uma agência postal dos Correios. Antes mesmo de Campos Novos ter uma! Razão de muitas críticas dos moradores da vila, muito mais populosa e ainda desprovida de serviço postal. O agente postal nomeado para aquela agência foi o sr. Benedito Vaz Reis.

Década de 1920 – Administra as fontes minerais a “Companhia de Águas Mineraes de Santa Rosa”. Em diversas comunicações oficiais aponta-se a necessidade de arrumar a estrada que liga a sede da fazenda à cidade de Lorena. Necessidade de prolongar a estrada de Campos Novos à fazenda das “Águas” é prevista no orçamento estadual.

1932 – Durante a Revolução Constitucionalista foi ocupada por tropas paulistas (do 4º Batalhão de Combate e da Liga de Defesa Paulista, sob o comando do Tenente Meirelles Maia). Estando arranchados na localidade, chamou a atenção do serviço médico do Exército Constitucionalista a dentição totalmente preservada dos moradores locais, algo raro na zona rural de Cunha naquela época. Os oficiais médicos atribuíram tal característica à salubridade e propriedades químicas daquelas fontes minerais. Passada a guerra civil, foram aqueles soldados grandes incentivadores da ideia de tornar Cunha uma estância hidromineral, pois muitos que lutaram em Cunha, entrariam para a política, posteriormente. Entre eles, podemos citar o ex-governador Adhemar de Barros, já falecido, que, como mandatário estadual, muito lutou para que Cunha alcançasse o status de estância.

17 de outubro de 1938 – Falece em São Paulo (SP), o Barão da Bocaina, último titular ainda vivo do Império do Brasil. Com sua morte, fenece o seu projeto para as “Águas Virtuosas de Santa Rosa”.

10 de julho de 1940 – É aberta a estrada rodoviária de Cunha a Campos Novos, de terra batida ainda, substituindo o leito carroçável, o antigo caminho de tropa que servia de ligação entre a sede municipal e a distrital. A caravana de políticos que vem inaugurar a obra visita a fazenda da estação das Águas Virtuosas de Santa Rosa, ainda um projeto promissor.

Dezembro de 1941 – É extinta a agência postal das “Águas Virtuosas de Santa Rosa”.

Década de 1940 – A Companhia possuía ações na bolsa de valores do Rio. Laudos do Laboratório Adolpho Lutz e do antigo Instituto Geográfico e Geológico de São Paulo apontam as fontes de águas minerais da fazenda, com vazão de 101.400 litros por hora, como as melhores do país.

Expedição do antropólogo americano Robert W. Shirley à Fazenda das Águas. 1965. Foto: Arquivo do Museu Francisco Veloso.

Década de 1960 – A Fazenda das Águas, como é conhecida, é vendida ao empresário Ghisleni Giulio, que pretende pôr em prática os antigos projetos do Barão da Bocaina.

Setembro de 1972 – É feito um reflorestamento com eucalipto na fazenda das “Águas Minerais de Santa Rosa”, empreendimento da Agro Vale do Paraíba S/C Ltda., com sede em Guaratinguetá. Trata-se de um investimento que conta com a participação de várias empresas e alega o plantio de 5 milhões de árvores, em três parques florestais criados em nossa região. Até hoje é a maior fazenda do município de Cunha, chegando até o Sertão, no limite com o estado do Rio de Janeiro, município de Paraty. Um ponto verde escuro nas imagens de satélite, devido a cobertura com eucalipto.

12 de novembro de 1975 – É criada a empresa Águas Virtuosas Santa Rosa LTDA, para envasar e comercializar águas minerais.

Igreja da Fazenda das Águas em 1978. Foto: Eurindo Perez (Página “Parada do Tempo”/ Facebook)

1981 – Inicia-se negociação com a Arábia Saudita, visando exportar água mineral de qualidade superior para aquele árido reino do Oriente Médio.

Década de 1980 – A Fazenda das Águas é um dos destinos turísticos de Cunha mais visitado e conhecido. A própria Prefeitura divulgava o lugar como um dos atrativos de Cunha, quando fazia anúncios na imprensa. A visitação pública aumenta após o asfaltamento do Estrada Municipal Ignácio Bebiano dos Reis, que interliga a cidade de Cunha à vila de Campos de Cunha.

Década de 1990 – A água mineral “Águas Virtuosas de Santa Rosa” conquista o mercado regional e seu nome se consolida, fornecendo um produto de excelente qualidade por um preço menor que as concorrentes. Na mesma década, a empresa seria fechada por motivos econômicos (?) e a comercialização suspensa.

24 de abril de 2000 – A Fazenda das Águas e suas fontes minerais são compradas e incorporadas pela empresa do mesmo ramo Águas Prata Ltda.

Década de 2010 – O reflorestamento de eucalipto da fazenda é vendido à indústria de madeira e celulose. A extração de madeira do local, pela quantidade de árvores, gera um importante fluxo de empregos em Cunha.

2021 – As fontes minerais da Fazenda das Águas voltam a ser envasadas e comercializadas, com novo nome: “Águas Serras de Cunha”.

Fontes:
Arquivos do Museu Municipal Francisco Veloso.
Arquivos da Prefeitura Municipal de Cunha.
Grupo “Memória Cunhense” – Facebook.
Jornal Correio Paulistano, 1854 a 1942.
Jornal do Commercio (RJ) – 1940 a 1949.
O Estado de São Paulo, 28 set. 1972.
O Estado de São Paulo, 1 abr. 1981.
Ofícios da Câmara Municipal da Cidade de Cunha, 1882.
Página “Parada do Tempo” – Facebook.
PASIN, J. L. Os Barões do Café: titulares do Império no Vale do Paraíba Paulista. Aparecida: Vale Livros, 2001.
Revista Istoé, 21 dez. 1977.
VELOSO, J. J. de O. A História de Cunha (1600-2010). Cunha (SP): Centro de Cultura e Tradição de Cunha, 2010.
______. O ambiente natural cunhense. Cunha (SP): Centro de Cultura e Tradição de Cunha, 1996.