
O sábio terrestre examina o enxame de abelhas, cuja organização ele considera um exemplo para os homens…
Observa as rainhas, os zangões e as obreiras. Parecem-lhes inteligentes, pois o trabalho e a criação de reservas demonstram não só uma ordem preestabelecida como também certa previsão.
Com carinho estuda a sua incipiente agricultura.
Mas o homem é inteligente, disso não resta dúvida (são os próprios homens que o afirmam), mas as abelhas e as formigas também podem ser consideradas inteligentes.
O sábio terreno, que as examina, faz essas apreciações com método e segurança. As abelhas de hoje pouco diferem das abelhas dos tempos homéricos, mas diferem. E essa diferença apresenta uma evolução que merece ser apreciada.
E continua a estudá-las, com carinho e com método.
………………………………………………………………………….
Em sua torre diáfana, o sábio da sétima constelação estuda o globo terráqueo. Através da imensidade do infinito, com seus aparelhos, examina a vida dos habitantes da Terra.
E ao investigá-los, com carinho e com método, o que aliás é apanágio de todos os sábios, fornece ao discípulo estas considerações que podemos traduzir com estas palavras:
− Inegavelmente, esses animalículos terrestres são bem interessantes. Apresentam fórmulas diferentes de construção, de uma variedade contrastante. São um pouco diferentes, mas vivem juntos. Deixam-se atrair muito pela luz. Vejo nos seus enxames, que os lugares mais iluminados possuem maior número deles. Correm pelas alamedas para salvarem-se de veículos que os podem esmagar.
Parecem ter uma certa ordem na vida, mas às vezes, vejo-os desordenados. Matam-se uns aos outros em lutas ferozes. Não os compreendo bem nesses momentos. Possuem, entretanto, uma certa evolução, pois já criam animais, já tiram da terra os alimentos, constroem máquinas… Talvez pudesse afirmar que são realmente inteligentes…
E continuou a estudá-los, com carinho e com método.
Fonte:
Mário Ferreira dos Santos, “Páginas Várias”, 1963, pp. 210-211.
Republicou isso em REBLOGADOR.