O professor João José de Oliveira Veloso segurando o seu livro “A História de Cunha”, no Museu Francisco Veloso. Foto: Geraldo Magela Tannus. Data: setembro de 2010.
JOÃO JOSÉ DE OLIVEIRA VELOSO (Nascimento: 05/11/1945 – Falecimento: 30/11/2020).
João José de Oliveira Veloso nasceu em 05 de novembro de 1.945, em Cunha, Estado de São Paulo. Filho de José Veloso Sobrinho e de Maria José de Oliveira.
Atuou como professor de Inglês e Português da Rede Pública Estadual de Ensino, aposentado em 2007.
Residia à Rua Augusto Adolfo Hauke, 84, Alto do Cruzeiro – Cunha/SP.
Fez o curso primário no Grupo Escolar “Dr. Casemiro da Rocha”, e o ginasial no Colégio Estadual “Paulo Virgínio”, ambos em Cunha/SP.
Cursou a Escola Normal “Miss Martha Watts”, no Instituto Educacional “O Piracicabano”, em Piracicaba/SP, de 1966 a 1968.
De 1969 a 1972, cursou Letras – Licenciatura Plena em Português / Inglês – na Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras do antigo Instituto Santa Teresa D’Ávila (hoje UNIFATEA, situada à Avenida Peixoto de Castro, em Lorena, SP), sendo da primeira turma mista a se formar nessa faculdade.
Desde 1972, dedicou-se a promover a cultura do Município de Cunha, apoiado pelo professor Dr. Robert W. Shirley (antropólogo e brasilianista, que viera reestudar mudança social em Cunha como bolsista do Instituto de Estudos Latino-Americanos, entre 1965 e 1966).
Em contato com esse professor norte-americano, João Veloso veio a traduzir a tese de doutorado daquele sobre Cunha: “The End of a Tradition” (1971), publicada pela Columbia University Press. A tradução realizou-se em 1977, e foi publicada pela Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia, em parceria com a Editora Perspectiva, com o título “O Fim de uma Tradição”.
“O fim de uma tradição”, de Robert W. Shirley, livro de antropologia, cujo objeto de estudo é Cunha, que foi traduzido para o português pelo professor João Veloso, em 1977.
Vendo a necessidade de um local onde se pudessem concentrar dados históricos sobre Cunha/SP, funda, em 1977, com alguns colegas professores e demais pessoas ligadas à cultura cunhense, o Centro de Cultura e Tradição de Cunha, entidade sem fins lucrativos, tendo como sede física o Museu Francisco Veloso.
A partir de então, é nessas duas entidades (Centro de Cultura e Museu) que se concentraram todas as suas atividades culturais no sentido de se promover a cultura cunhense, destinadas não somente aos alunos da rede pública e particular de ensino do Município, mas também a todas as pessoas, órgãos e entidades interessados na história local.
Desde 1977, o professor Veloso vinha publicando revistas, monografias, boletins… sobre o Município de Cunha, material farto que tem promovido a História de Cunha não apenas “in loco”, mas também em todo o Vale do Paraíba e no Estado de São Paulo.
Em 1978, Veloso tornou-se membro efetivo do IEV – Instituto de Estudos Valeparaibanos.
Em 1987, traduziu para o Português o curso sobre Antropologia Jurídica, ministrado pelo professor Robert W. Shirley na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo de São Francisco, que deu origem ao livro “Antropologia Jurídica”, publicado pela Editora Saraiva, nesse mesmo ano.
Professor João Veloso, seu irmão Pedro, e os componentes da Companhia de Folia de Reis de Cunha “Magos do Oriente” (Família Castro e Benedito Malaquias de Paula. Foto: José Antonio (Rádio Serrana FM). Década de 1990.
Já em 1997, recebeu a Distinção Cultural Paulo Pereira dos Reis, criada pelo IEV.
Recebeu também, por duas vezes, homenagens na Câmara Municipal de Cunha: em 1988 e em 2010, por atividades culturais ligadas à história de Cunha.
O eminente professor João José de Oliveira Veloso ainda foi colaborador, dentro de suas possibilidades, com artigos históricos sobre Cunha, no Boletim do IEV, na Revista Ângulo (UNIFATEA) e em alguns jornais locais e regionais.
Suas primeiras obras publicadas são “‘Sá’ Mariinha das Três Pontes, curandeira e vidente” – JAC Gráfica e Editora, 1994; e “O Ambiente Natural Cunhense”, JAC Gráfica e Editora, 1995.
Livro que despertou o meu interesse pela história de Cunha. Em 1999, eu ganhei do professor João Veloso um exemplar deste livro (o da foto), como um presente por estar à frente das comemorações da Revolução Constitucionalista, que ocorreram na Escola Estadual “Paulo Virginio”, Cunha, SP.
Já em outubro de 2010, o professor Veloso lançou sua obra-prima, intitulada “A História de Cunha – 1600-2010 – Freguesia do Facão – A Rota da Exploração das Minas e Abastecimento de Tropas” – JAC Gráfica e Editora, Centro de Cultura e Tradição de Cunha, composta por 496 páginas.
“A História de Cunha”, livro de 2010, uma certidão de nascimento para a nossa história, fruto de 40 anos de estudos do professor João Veloso. Esse livro inspirou novos estudiosos da história local e colocou a história de Cunha em questão.
Em 2014, lançou “A História de Zina – A saga de uma família da zona rural cunhense” – J. A. Cursino & Editores, Centro de Cultura e Tradição de Cunha. E também o livro “A História da Música em Cunha”, escrito em parceria com o Professor Victor Amato dos Santos.
E em 2015, publicou a revista “Simplificando a História de Cunha” (um resumo da obra “A História de Cunha – 1600-2010 – Freguesia do Facão – A Rota da Exploração das Minas e Abastecimento de Tropas”), também em parceria com o Professor Victor Amato.
Esta última publicação tem a finalidade principal de ser utilizada nos anos iniciais do Ensino Fundamental pelas redes pública e particular de ensino do Município de Cunha/SP; e ainda a de servir à informação da população cunhense e demais interessados sobre o assunto.
O Professor João Veloso faleceu serenamente na manhã de 30 de novembro de 2020, após passar mal em sua residência e ser conduzido à Santa Casa de Cunha pelo seu irmão Pedro Veloso.
Professor João Veloso proseando na Praça da Matriz, pouco antes de falecer.
Seus restos mortais encontram-se sepultados no Cemitério Municipal de Cunha.
* Texto cedido, gentilmente, pelo professor Victor Amato dos Santos ao Jacuhy, em 30 nov. 2024. A ele, sempre parceiro deste blog, nossa gratidão.
Publicação original:
Nota de Pesar do IEV (nstituto de Estudos Valeparaibanos): Hoje, 30.11.2020, é um triste dia para a história valeparaibana. Nossa região e o município de Cunha-SP perderam um dos seus destemidos guardiões. Autor de diversas obras, era um dos principais nomes da preservação da história e da memória de Cunha, esteve à frente do Museu Municipal e Centro de Cultura e Tradição de Cunha “Francisco Veloso”, além de ter participado de importantes momentos da história da nossa região. Nós, do Instituto de Estudos Valeparaibanos, lamentamos o repentino falecimento deste célebre companheiro e iremos manter vivas a memória e a história deste que, para nós, sempre fará parte da nossa instituição, inspiração para aqueles que ficam e têm, assim como ele, grande paixão e respeito pelo Vale do Paraíba. Nossos sentimentos aos familiares, amigos e inúmeros alunos que hoje se despedem deste grande mestre. O enterro do Professor João Veloso acontecerá às 16h no Cemitério Municipal de Cunha. Diego Amaro de Almeida – Presidente do IEV
Voluntários paulistas no front de Cunha. Da esquerda para a direita: Geraldo Nascimento e Vavá (os dois cunhenses do grupo), Clementino, Tegon e Zilcar. Foto: Acervo Gazeta de S. Paulo.
Clementino de Souza e Castro Júnior (São Paulo, 23 de julho de 1.897 – São Paulo, 22 de agosto de 1.981) era filho de Clementino de Souza e Castro e Luiza Arruda de Souza e Castro. Seu pai foi prefeito de São Paulo na transição do regime monárquico para o republicano, entre 1890 e 1891, e chegou a exercer o cargo de ministro no Tribunal de Justiça de São Paulo. O bairro de Vila Clementino, localizado no distrito de Vila Mariana em São Paulo, recebeu essa denominação em homenagem ao seu pai, gestor público de grandes realizações.
Tomando parte nos acontecimentos daquele outono e inverno de 1932, quando a cidade de São Paulo se agitava contra a ditadura de Vargas, eufemisticamente chamada de “Governo Provisório”, Clementino Júnior se alistou como voluntário, tendo sido deslocado para a “Frente Norte” (Vale do Paraíba), mais precisamente para o “Sector de Cunha”, já nos primeiros momentos da guerra civil.
Quando se alistou como voluntário nas fileiras do Exército Constitucionalista, já era casado e pai de três filhas. Esse fato o distingue de muitos, mostrando a sua devoção à causa constitucionalista. Paulista e constitucionalista.
Soldados e oficiais em um momento de folga e de pausa para a pose. Trata-se do casarão da Dona Benzinha, já demolido, que foi utilizado como Delegacia Técnica durante a Revolução de 1932. Clementino observa debruçado na janela. Foto: Museu Francisco Veloso.
Em Cunha, devido à sua formação acadêmica – engenharia civil pelo antigo Colégio Mackenzie – veio a compor o corpo técnico do Estado Maior da Praça de Cunha, quando instalada na cidade a Delegacia Técnica do Exército Constitucionalista, que funcionou no casarão que ficava na esquina da rua Dr. Casemiro da Rocha com a Praça da Matriz. O casarão foi demolido, mas um novo prédio (em proporção e estilo semelhante) foi erguido e hoje está alugado para a Caixa Econômica Federal. Como engenheiro, confeccionava os croquis e mapas bélicos. Também ficou responsável pela intendência. No acúmulo das duas funções, tendo contato direto com os anseios das trincheiras e com as resenhas da oficialidade, foi testemunha privilegiada dos acontecimentos que se desenrolaram em Cunha.
Cunha sitiada. A situação da guerra em 16 de agosto de 1932, às 18h, não era nada favorável aos paulistas. Mapa: Clementino Jr. Data: 16 ago. 1932.
Anotava tudo em seu diário pessoal. Infelizmente foi perdido, conforme relata no livro, quando preso no 6º R.I. de Caçapava, em outubro de 1932, em razão da derrota do movimento constitucionalista. Mas a memória é impertinente, resistente, persistente. Três anos depois, suas reminiscências ocasionaram o livro “Cunha em 1932”, pela editora “Revista dos Tribunaes”, o primeiro escrito sobre Cunha e que, de fato, tornou nossa cidade e a batalha que se travou aqui famosa nos círculos sociais da metrópole piratiningana. Mas é importante reforçar que o livro é sobre o município de Cunha e as batalhas que ocorreram aqui; não é sobre os cunhenses. Cunha é só o cenário, o teatro de operações.
Capa original do livro “Cunha em 1932”, lançado em 1935. Digitalização: Jacuhy.
Sua intenção ao pôr no papel suas lembranças era revidar à apropriação política que alguns faziam do movimento. Esses, motivados por interesses pessoais e sem compromisso com a verdade, omitiam ou se inseriam na história para angariar prestígio e votos, maculando os nobres ideais que levaram milhares de jovens a partir para as trincheiras. Por isso o livro vem a lume em 1935, quando o país já gozava da democracia e a campanha partidária reconquistava as ruas e corações. Motivo da luta dos constitucionalistas, a democracia retornava; todavia com sua parte indesejada: os políticos e as negociatas de sempre.
Foi casado com Izaura Camargo Souza Castro e teve os seguintes filhos: Clelia, Luiza, Teresa, Irene e Jurandyr. Este deu o seguinte depoimento sobre seu pai: “sua vida aqui foi linda, alegre, cheia de lutas e vitórias. Cidadão íntegro que, com muita sabedoria, soube cuidar dos seus. Sempre dando exemplos de patriotismo, deixou saudades eternas. Sempre dizia: ‘Quem não cuidou da família, não teve um filho, não escreveu um livro, não plantou uma árvore e não lutou pela pátria: não deve ser considerado homem’. Que Deus o mantenha na Paz.”. Quando faleceu, em 1981, aos 84 anos de idade, deixou além de saudades e corações enlutados, filhos, netos, bisnetos e tataranetos. Seu corpo foi enterrado no Cemitério da Consolação.
Clementino Jr. e sua esposa Izaura. Foto: Jurandyr Castro.
A força do seu depoimento sobre o movimento encetado por S. Paulo em 1932 reside na sua conversão em objeto de análise, das ideias e ideologias que permeiam a obra e nos ajudam a entender a mentalidade da época. Seu interesse para nós: cunhenses, paulistas, democratas, brasileiros, vai muito além dos fatos e fotografias que ilustram o livro. Ali está o paulista metropolitano que já não se reconhece mais no paulista interiorano. Uma das contradições imposta pela industrialização. É o desejo da elite paulista de romper com seu passado pobre, rústico, agrário, caipira, nativista que prevalece no livro quando Clementino se refere aos cunhenses. Por isso, ao digitalizar o livro, decidi manter a grafia, o número e o conteúdo de cada página correspondendo ao original, sem nada acrescentar ou suprimir. Nem fiz qualquer nota de rodapé.
“Cunha em 1932”: Dedicatória escrita em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, para um dos seus primos: “lembranças da nossa guerra”.
Ao Clementino, que descansa o sono dos justos, fica a minha profunda gratidão por ter trazido, com muita sinceridade, suas memórias à lume; aos que lutaram e puseram sua vida abaixo dos altos ideais que nortearam os paulistas no campo de batalha, fica minha reverencia. E a todos os cunhenses que sofreram naqueles dias difíceis, fica o meu reconhecimento.
Condecorações e medalhas recebidas por Clementino. Foto: Jurandyr Castro.Entre as insígnias está ao alto, na cor azul, a da Delegacia Technica, onde Clementino serviu em Cunha. Foto: Jurandyr Castro.
Eles – os exércitos paulista e getulista – lutaram por suas convicções políticas, suas paixões partidárias; nós, cunhenses, lutamos para sobreviver ao inferno que essas convicções apaixonadas criaram.
Para ler ou fazer o download do livro “Cunha em 1932”, clique AQUI:
Professor José Luiz Pasin: um mestre generoso, uma mente brilhante. Foto: Centro UNISAL.
De História foi o grande professor. Entusiasmado e cativante, profundo conhecedor do tempo que passou e que, nas suas aulas, parecia nunca passar… Foi testemunha ocular de tudo que falava? Um viajante do tempo com quem tivemos a honra de conviver, aprender, absorver? Havia um “que” de magia que nos envolvia em sua exposição… Das suas aulas, a única coisa que não trazíamos eram anotações sobre o conteúdo. “Não podemos perder tempo com anotações”, dizia o mestre. Falava com tanta propriedade e com tanto brilho nos olhos, que nos arremessava em uma espécie de túnel do tempo imaginativo e nos colocava à mesa das velhas fazendas vale-paraibanas, a observar o cotidiano duro dos negros nos terreirões e o vai-e-vem dentro da Casa Grande. Eloquente em suas ideias e explanações. Democrático e cortês na escuta. Educador exímio, cativou uma geração inteira de estudantes a se apaixonar pelo seu Vale do Paraíba. E me incluo entre os tais.
“Da minha janela na Roseira Velha, quando eu abro de manhã, eu faço meu diálogo com o mundo. É indiferente morar em Roseira Velha, Rio de Janeiro, Londres, Paris ou Roma; tudo é muito relativo. O que importo é o que faço no espaço onde moro; é a minha relação diária com as pessoas e com a cultura. Eu sempre digo que o meu país, antes de tudo é o Vale do Paraíba, inserido no Brasil. Estas fronteiras geográficas, estas raízes, que constituem a Serra da Mantiqueira, de um lado, e a Serra do Mar, do outro, elas impelem a minha caminhada e eu não saberia viver fora deste Vale do Paraíba“.
Pasin, em entrevista de 1987
Um vulto, um ícone a circular pelos corredores da Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, sua segunda casa. Um idealista, um sonhador, crente que foi no potencial dos jovens para construção de um mundo melhor. Mais que de Humanas, um humanista por formação e de coração. História Regional foi sua praia, além de Paraty. Mestre em História do Brasil. O Vale do Paraíba, sua pátria (dizia ele), foi mais que um objeto de pesquisa: uma causa sagrada. E dela foi sumo sacerdote por décadas. Um apologista da nossa importância, por vezes ignorada. Criador do Instituto de Estudos Valeparaibanos (IEV), rebento que emergiu após o primeiro simpósio de história regional que promoveu, lá nos idos de 1972. Da cultura regional foi o defensor, o incentivador. Ajudou a fundar museus, arquivos públicos e a tombar imóveis, sobrados e fazendas. Ativista cultural e provocador. Um espírito inconformado e contestador, sujeito suspeito e subversivo para as autoridades que inventaram os Anos de Chumbo. Acabou preso no 5º Batalhão de Infantaria Leve de Lorena. Mas muito mais foi amado e querido. E por todos que tiveram o prazer de conhecê-lo: amigos, alunos, colegas, empresários, conhecidos e até pelos políticos.
Ruth Guimarães e Professor Pasin, dois ícones da cultura valeparaibana. Foto: Botelho Netto.
Um legítimo cavalheiro que levava luz aonde ia, com bom humor, simpatia, cordialidade. Foi ecologista quando isso ainda era novidade. Para ele, já naquele tempo, o cuidar do ambiente era uma questão ética. E olha que ninguém se preocupava com aquecimento global… Abnegado, um verdadeiro mecenas, a colocar suas posses e bens em favor das grandes causas de seu tempo e suas: luta pela preservação ambiental e pela memória e história do Vale do Paraíba. Um intelectual completo e, ao mesmo tempo, um signo de contrariedade a esse tipo, pois sempre foi uma pessoa amável e simpática.
Monarquista convicto, porque via no antigo regime fonte de legitimidade, identidade e apreço histórico. Na política foi do Partido Verde, um defensor das minorias e da socialdemocracia. Estudou os indígenas, os negros, os tropeiros, os pobres, as mulheres, a classe média, os barões do café do Vale de ontem. Sua sociabilidade e generosidade não se restringia ao trato, também adentrava no seu campo de estudo.
“Eu fiz o curso de História nos anos 60, me formei em 1962, na Faculdade Salesiana de Lorena, considerada, na época, uma instituição universitária de renome nacional. Como acontecia nas universidades do país, havia uma necessidade de se discutir a realidade brasileira, os problemas sociais, reforma agrária, situação da classe operária, da universidade… tudo isso já repercutia aqui, na Faculdade Salesiana”.
Pasin, em entrevista de 2004
Fez da sua Fazenda Boa Vista, em Roseira, reserva ecológica e faculdade. Um espaço de educação ambiental. Procurou viver aquilo que acreditava e pregava. Coerência foi a sua marca registrada.
Zé, como era chamado, tinha luz no nome. E teve luz na vida. E mesmo mais de uma década sem ele, um feixe irradia sobre todos os que debruçam na pesquisa histórica regional, pois ainda é fonte indispensável. E de tanta luz que esparramou, iluminou uma geração inteira de jovens estudantes de História, ávidos em desvendar os meandros, as circunstâncias históricas pretéritas. E esse lume não cessará tão logo.
“Eu tenho procurado ao longo da minha vida ser coerente. As coisas que eu penso, as coisas que eu digo, principalmente nas salas de aula, nos cursos que eu ministro, nas conferências, nas entrevistas e nas atitudes em relação à minha própria vida. Então, eu parto da ideia de que a minha vida é dedicada aos movimentos culturais e aos movimentos ambientalistas”.
Pasin, em entrevista de 1987
Paulista, natural de Aparecida, havia adquirido uma casa em Cunha pouco antes de morrer, vitimado por câncer. O Zé tinha a simplicidade dos caipiras e a sofisticação dos aristocratas. Queria descansar entre as montanhas e sentir o gostoso frio dos Mares de Morros. Todavia, o infortúnio não o permitiu e o nosso amigo Zé partiu. Deixando, além de muita saudade, uma vasta herança a todos nós: a imprescindível bibliografia histórica da nossa região. Lê-la é perpetuar a sua memória, honrar a sua vida de valor.
É, Zé, quero acreditar que você, agora um espírito iluminado, ainda caminha entre nós ou pela Estrada Real. Que habita, encantado, os velhos casarões que você lutou para que continuassem em pé, assombrando o descaso, a indiferença e os demolidores que se atreverem. Você sempre estará de alguma forma entre nós, com a mesma personalidade forte e presença marcante que tinha nas conversas, nos convivas, saraus, aulas, palestras, lançamentos de livros, coquetéis, conferências, escarafunchando arquivos empoeirados, criando coisas novas para preservar coisas antigas… E sempre com um largo sorriso.
José Luiz Pasin foi mais que um intelectual das letras e ideias. Engajou-se nos movimentos de preservação do patrimônio histórico, arquitetônico, cultural e ambiental do Vale do Paraíba. Foto: Botelho Netto.
Zé, Zé Luiz, professor Pasin, você fez História em todos os sentidos.
Com gratidão e admiração eterna, de um dos seus muitos ex-alunos.
No Centro UNISAL, de Lorena, Pasin, enquanto professor universitário, formou gerações de professores e historiadores da nossa região. Foto: Centro UNISAL – Lorena.
José Luiz Pasin (Aparecida – SP, 27 de agosto de 1939 – Guaratinguetá – SP, 11 de janeiro de 2008), foi um historiador, pedagogo, escritor, poeta, articulista e professor brasileiro. Confira abaixo um pouco da sua brilhante trajetória intelectual.
Instituições e organizações em que atuou: Instituto de Estudos Valeparaibanos (IEV) Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Centro UNISAL) – Lorena Professor de História de escolas públicas e de colégios privados do Vale do Paraíba Museu Frei Galvão – Guaratinguetá Academia Paulista de História Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo Colégio Brasileiro de Genealogia Instituto Histórico e Artístico de Paraty Instituto Genealógico Brasileiro União Brasileira de Escritores Conselho Regional de Museologia do Estado de São Paulo (COREM) Núcleo de Pesquisa Regional do Centro UNISAL Faculdades Integradas “Teresa D’Ávila” (FATEA) – Lorena Faculdade de Roseira (FARO) – Roseira
Revista e jornais para quem escreveu: Revista Ângulo Folha de São Paulo Valeparaibano
Prêmios recebidos: Prêmio Cultural “Eugênia Sereno” – 2001 Prêmio de História Regional – 2001
Livros e monografias (levantamento parcial) de sua autoria: Os Ciclos Econômicos do Vale do Paraíba (1962) Poetas de Guaratinguetá (1974) Algumas notas para a história do Vale do Paraíba: desbravamento e povoamento (1977) Poetas de Aparecida (1978) O Visconde de Guaratinguetá (1979) Guaratinguetá: tempo e memória (1983) Vale do Paraíba: ontem e hoje (1988) Pasin: cem anos de uma família italiana no Brasil (1988) Panorama da Literatura do Vale do Paraíba (1995) O Instituto de Estudos Valeparaibanos e a preservação do Patrimônio Ambiental e Cultural do Vale do Paraíba (1999) Barões do Café: titulares do Império no Vale do Paraíba Paulista (2001) A Jornada da Independência (2002) O Outro Euclides: o engenheiro Euclides da Cunha no Vale do Paraíba, 1902-1903 (2002) Vale do Paraíba: a Estrada Real, Roteiros & Caminhos (2004) Catálogo da sala Euclides da Cunha (2005) Vale do Paraíba: história e cultura (2007)
Robert Shirley esteve em Cunha, na década de 1960, para pesquisar os impactos do progresso industrial e urbano sobre a cultura e tradição local. Dessa pesquisa surgiu o livro “O fim de uma tradição“.
Robert Weaver Shirley nasceu em 11 de dezembro de 1936, na cidade de Baltimore, estado de Maryland, nos Estados Unidos da América. Era filho do Dr. Hale Forman Shirley, um típico médico caipira do Meio-Oeste americano, natural de Iowa, onde se criou e estudou. Sua mãe se chamava Mildred Weaver Shirley, nascida na mesma região de seu marido, criada em uma das muitas fazendas que compõem o estado do Illinois. Como estudante de Nutrição na Universidade de Iowa, ela conhece o jovem Hale, ainda um estudante de Medicina e seu futuro marido. Seu pai decide aprofundar sua formação e parte para Baltimore, objetivando estudar Psiquiatria Infantil na Universidade Johns Hopkins. Após a formação, quando Robert tinha apenas dois anos, os Shirley se mudam para o outro lado do país, se estabelecendo em São Francisco, Califórnia. Seu pai fora nomeado professor de Pediatria e Psiquiatria na Universidade de Stanford. Sua família se estabelece de forma definitiva na Baía de São Francisco desde então. Sua mãe veio a falecer em 1960 e seu pai em 1974. Essa proximidade familiar com a Medicina, o leva a trabalhar por vários anos como assistente de pesquisa médica em Palo Alto, Califórnia, na Universidade Stanford.
Robert Shirley graduou-se em Biologia e Antropologia na Universidade de Stanford, se mudando, posteriormente, para Nova Iorque, a fim de terminar seu doutorado na Universidade Columbia. Nessa Academia, influenciado pelo antropólogo e brasilianista Charles Wagley (1913-1991), inicia seus estudos sobre o Brasil, interesse que iria nortear toda sua carreira acadêmica e seria seu campo de pesquisa predileto e vitalício.
” Minha ligação com esta comunidade pequena [Cunha] é uma das felicidades de minha vida […] Mais uma vez, portanto, quero agradecer ao povo de Cunha por sua amizade durante doze anos”
Robert Shirley, em 1977.
Para realizar as pesquisas que culminariam em seu doutorado em Antropologia, parte para o Brasil, mais especificamente para a pequena e isolada cidade de Cunha, no extremo leste de São Paulo. Mais que uma experiência acadêmica e de pesquisa, Cunha o marcaria para sempre, como várias vezes testemunhou Shirley. Cunha foi um objeto de estudo que se transformou em um verdadeiro laboratório de experiências humanas, pessoais e solidárias para o cientista social. Aqui esteve por dois anos (1965-1966), dando continuidade às pesquisas sociais desenvolvidas na década de 1940 por Emílio Willems. Cunha foi, durante o século XX, uma espécie de cidade-laboratório dos cientistas sociais, pelo fato de ser uma comunidade isolada e que mantinha a cultura tradicional ainda intacta. Os mais importantes “estudos de comunidade” no Brasil aconteceram em nosso município. Seu interesse aqui era medir o impacto das cidades industriais paulistas sobre a pequena comunidade tradicional, cujo isolamento vinha sendo gradativamente rompido com novas estradas e novos meios de comunicação. Shirley, certa vez, afirmou que vir para Cunha era muito mais que um deslocamento no espaço, mas também um deslocamento no tempo, como se pudéssemos voltar a uma época pretérita. Sua pesquisa identifica vários sinais de ruptura na cultura tradicional, o que para ele levaria, com o passar do tempo, ao desaparecimento das manifestações folclóricas típicas do mundo rural.
O antropólogo nunca escondeu de ninguém: Cunha era sua segunda casa, depois da fria Toronto, onde tinha seu emprego. Os Veloso, segundo sua própria confissão, era sua família adotiva. Nestas paragens encontrou sua tese e novos amigos. Da relação fraternal com o inesquecível professor João Veloso (1945-2020), nasceu o Centro de Cultura e Tradição de Cunha, a tradução dos livros “O fim de uma tradição” e “Antropologia Jurídica” para o português e diversos boletins e matérias sobre a cultura e tradição local. Uma amizade intelectual que rendeu muitos frutos para Cunha e que até hoje desfrutamos. Shirley nunca se esqueceu da noite chuvosa, em janeiro de 1965, quando chegou a Cunha, após enfrentar o lamaçal que era a Estrada Cunha-Guaratinguetá e ter que pernoitar no meio do caminho. Instalou-se no “Hotel Paulista” (do Rafaello, belíssimo casarão colonial já demolido), e logo transformou a estalagem em uma espécie da sucursal da Universidade Columbia, ocupando quartos e salas e orientando ajudantes de pesquisa. Deixou Cunha um ano e meio depois com “20 quilos de material escrito e memórias infinitas”. Aproveitou o ensejo da introdução que fez ao livro “Um causo sério”, do José Velloso, em setembro de 1991, para fazer muitas confissões do seu amor a Cunha e aos amigos que aqui encontrou e sempre que pode visitou… Coisas que não cabiam na austeridade e sobriedade das publicações de suas inúmeras pesquisas, onde o distanciamento afetivo com o objeto de estudo é necessário para a credibilidade da pesquisa.
Robert Shirley, em 1966, quando estava em Cunha fazendo sua pesquisa de doutorado. Fonte: Museu Municipal Francisco Veloso.
Foi membro do corpo docente da Universidade de Toronto por mais de 27 anos, atuando na graduação e pós-graduação do curso de Antropologia, no Campus Scarborough. As disciplinas que ministrou foram: Antropologia Social e Cultural, Antropologia Econômica e Política, Escravidão Comparada e Direito e Sociedade. Além disso, também chegou a lecionar uma matéria sobre as sociedades latino-americanas, dando um curso sobre “As Américas: uma perspectiva antropológica”, com enfoque no México e no Brasil. Na pós-graduação, foi professor de Antropologia Jurídica e Metodologia e História do Pensamento Antropológico.
Já em 1988 havia se tornado o grande brasilianista do Canadá, atuando na Universidade de Toronto, abrindo as cortinas para os estudos sobre Brasil e apresentando o “país tropical abençoado por Deus” a milhares de jovens estudantes interessados pelo mundo abaixo da Linha do Equador. Realizou diversos cursos e seminários sobre o Brasil, durante muito tempo, no St. Michael’s College.
Como professor, conseguiu ministrar seus cursos em várias universidades brasileiras, tendo a oportunidade de visitar assim grande parte do país. Viajou para o Amazonas, região Nordeste, embora a maior de suas pesquisas tenha sido nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. Sua área de pesquisa e atuação no ensino superior esteve ligada à Antropologia Social, matéria que lecionou em quatro universidades brasileiras. Também foi o introdutor, nas universidades brasileiras, da disciplina de Antropologia Jurídica, tendo atuado no Museu Nacional do Rio de Janeiro e na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Lecionou ainda na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). O Brasil foi o seu grande campo de pesquisa, conforme ele mesmo escreveu: “em 1970, comecei a me interessar pelas instituições que ligam as regiões rurais e urbanas. Passei alguns meses trabalhando em cooperativas, mas acabei me estabelecendo em uma extensa pesquisa sobre direito e instituições jurídicas no Brasil”. Início da década de 1980 estudou a cultura e as tradições gaúchas, quando era professor da UFRS. Em meados da década, ainda em Porto Alegre, junto com a professora Claudia Fonseca começa sua pesquisa sobre Antropologia Jurídica e Direito Comparado e o impacto das instituições jurídicas de uma perspectiva urbana, usando o método de estudo da comunidade. Na década de 1990, inicia os estudos sobre as favelas do Rio de Janeiro e São Paulo, fazendo comparativos sobre a organização de favelas nas diferentes cidades do Brasil. Aproveita para, nessa época, estudar as religiões afro-brasileiras enquanto força organizadora de comunidades carentes. Em 1993-1994, vive o seu ano sabático e aproveita para visitar Cunha por quatro meses. Retorna a Toronto em 1994, passando a atuar na área de Criminologia, buscando uma reforma policial e uma governança comunitária e de policiamento. No verão de 1996, retorna ao Brasil, como bolsista, para o Núcleo de Estudos da Violência (NEV), da Universidade de São Paulo (USP). No Brasil, pesquisou a organização jurídica local, as religiões nacionais e as organizações comunitárias.
Apaixonado por artes, literatura, dança e música (principalmente música clássica), Shirley não deixou esse hobby de fora de suas andanças acadêmicas. Do Brasil levou, quando retornou ao Canadá, uma enorme coleção de gravações brasileiras de diversos músicos e ritmos, além, claro, de uma infinidade de livros sobre nosso país, por quem nutria muito mais que um interesse de pesquisa, mas profundo afeto e respeito. Apoiou e acolheu em sua casa o coreógrafo brasileiro Newton Moraes.
Faleceu em 23 de julho de 2008, em sua residência, de forma repentina, em Toronto, aos 72 anos de idade. Já tinha se tornado professor emérito de Antropologia, na Universidade de Toronto. Ficou na lembrança dos alunos, amigos e familiares como um homem extremamente gentil. Deixou saudades em seu companheiro Newton Moraes, em seus irmãos Bill Shirley e Barbara Sierra e em seus sobrinhos Stephanie, Linda, Nicholas, Ethan, na sobrinha-neta Alexandra e em muitos amigos.
Sua obra, ainda que menos importante e impactante que a de Willems, contribuiu para a Antropologia brasileira, principalmente ao introduzir um novo campo de estudo: a Antropologia Jurídica. Para Cunha, ele foi muito mais que um pesquisador “do estrangeiro”, que só via o lugar como um objeto de pesquisa. Virou “cunheiro” de alma e coração e deu suporte acadêmico aos movimentos culturais e de preservação histórica que brotaram na cidade após a década de 1970. Apesar de ter sido um problematizador sobre o iminente desaparecimento da cultura tradicional frente ao industrialismo paulista, foi ele um dos somaram esforços para que nossas tradições não chegassem ao fim.
Fotos coloridas de Cunha e seus aspectos sociais e culturais, tiradas por Robert Shirley durante sua pesquisa em Cunha (1965-1966) e em suas visitas (1977 e 1991).
Livros:
1971 – The End of a Tradition: Culture Change and Development in the Município of Cunha, São Paulo, Brazil. Columbia University Press, New York and London.
1977 – O Fim de uma Tradição (tradução de João José de Oliveira Veloso, com um prefácio à edição brasileira e um capítulo extra: “Cunha, Doze Anos Depois”), Editora Perspectiva, Série Debates, n. 141, São Paulo.
1987 – Antropologia Jurídica (tradução de João José de Oliveira Veloso), Editora Saraiva, São Paulo.
Artigos:
1962 – em parceria com A.K. Romney: “Love Magic and Socialization Anxiety: A Cross Cultural Survey,” American Anthropologist, v. 64, n. 5, out., tomo I, pp. 1028-31
1964 – com R.G. Desai: “Association of Leukemia and Blood Groups,” The Journal of Medical Genetics, vol. 2, n. 3.
1967 – “The End of a Tradition”: tese de doutoramento da Universidade de Columbia, da cidade de Nova Iorque, publicada pela Universidade Microfilms, Ann Arbor, Michigan.
1970 – “Politics and Labour Migration in Brazil: The Politics of Underemployment,” in Manpower and Economic Development, Institute of Developing Areas, McGill University, Montreal, PQ., v. 2, n. 1, pp. 45-48.
1971 – “Social and Economic Change in the Municipío of Cunha,” Ciências Econômicas e Sociais, São Paulo, v. 6, n. 2, pp. 93-101.
1973 – “Patronage and Cooperation, An Analysis from São Paulo State,” in Patronage and the Power Structure in Latin America, A. Strikon and S. Greenfield, editors; The University of New Mexico Press, Albuquerque, NM.
1978 – “Legal Institutions and Early Industrial Growth: Manchester/São Paulo,” no Stanford Journal of International Studies, v. XIII, Spring, pp. 157-176. Posteriormente publicado em livro como: Manchester and São Paulo, John Wirth, and Robert L. Jones editors, Stanford University Press, Stanford, California.
1979 – “Law in Rural Brazil” em Brazil,Anthropological Perspectives: Essays in Honor of Charles Wagley, Maxine L Margolis and William E. Carter, Editors, pp. 343-361. Columbia University Press, New York.
1987 – “A Brief Survey of Law in Brazil” em NS: The Canadian Journal of Latin American and Caribbean Studies, v. XII, n. 23, 1987; pp. 1-13.
1990 – “Recreating Communities: The Formation of Community in a Brazilian Shantytown,” em Urban Anthropology, v. 19, n. 3, 1990, pp. 255-276.
1991 – “A lições de Cunha” no jornal Folha de São Paulo, 9 ago. 1991, p. 10-12.
1991 – “Gaúcho Identity and Regional Nationalism, A Case Study of the Traditionalist Movement in Rio Grande do Sul, Brazil,” no Journal of Latin American Lore, #17, pp. 199-224, Journal of the Latin American Institute of U. C. L. A.
1992 – “Brazil in Toronto” no Abacaxi Times, (jornal da comunidade brasileira em Toronto): n. 8, nov. 1992, p. 7.
1992 – “Introdução ao livro de José Velloso” em SOBRINHO, José Veloso. Um Causo Sério, pp. 11-13, Centro de Cultura e Tradição de Cunha, Cunha, São Paulo.
1994 – “Brazilians in Canada” artigo da Encyclopedia of the Canadian People, publicação da Multi – Cultural History Society of Ontario, Toronto.
1995 – “A Case of Kidnapping – and a Case of Prejudice” Review of two books: “Wrong Time, Wrong place,” by Caroline Mallan and “See no Evil,” by Isabel Vincent, em The Financial Post, 20 mai. 1995, p.33
1996 – “The Moçambique and the Parabola, How Weekend Tourism is helping to Preserve Folk Traditions in Rural São Paulo, Brazil” em ANTHROPOS: 91, Berichte und Kommentare, pp. 545-551; Köln, Germany.
1997 – “Atitudes com Relação à Polícia em uma Favela do Sul do Brasil,” em Tempo Social: Revista de Sociologia da USP, v. 9 – 1, mai. 1997, pp. 215-231, São Paulo.
1997 – “Faith and Freedom (a brief history of Afro-Brazilian Religion),” in The Queen’s Quarterly, inverno de 1997, pp. 690-711.
Fontes: OBITUÁRIO de Robert W. Shirley. Disponível em: <https://www.legacy.com/obituaries/thestar/obituary.aspx?n=robert-w-shirley&pid=117514415 >. Acesso em: 23 set. 2021. SHIRLEY, R. W. O fim de uma tradição: cultura e desenvolvimento no município de Cunha. Tradução de João José de Oliveira Veloso. São Paulo: Perspectiva, 1977. UNIVERSITY OF TORONTO. Robert Shirley Anthropologist. Disponível em: <http://homes.chass.utoronto.ca/~rshirley/robert/index.htm >. Acesso em: 23 set. 2021. VELLOSO SOBRINHO, J. Um causo sério. Cunha (SP): Centro de Cultura e Tradição de Cunha, 1992.