Jacuhy – 10 anos

Título: Saudade. Criador: Almeida Júnior. Data de criação: 1899. Tipo: Óleo sobre tela. Direitos: Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo.

“O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E, por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.”


(CAEIRO, Alberto. Poesia (O Guardador de Rebanhos). Ed. Fernando Cabral Martins, Richard Zenith. Lisboa: Assírio & Alvim, 2001, pp. 53-54)

E se completam os primeiros 10 anos do Jacuhy, o seu primeiro decênio. Em 21 de junho de 2016, resolvi criar uma página para expor tudo o que eu havia lido e pesquisado sobre Cunha. Boas intenções, poucas pretensões.

O Jacuhy é um blog pessoal. E um blog bairrista: é sobre Cunha, por Cunha e para Cunha. Cunha é o rio da minha aldeia. Nunca quis ser apenas um blog de história, cultura ou geografia. Porque há tantos, e “toda a gente sabe isso. Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia”.

Sempre gostei de curiosidades históricas; as grandes questões da História nunca me cativaram, porque são chatas e insolúveis. O que é pequeno, conhecido em toda a sua extensão, palpável, me dá segurança. Diz-se: “mar calmo nunca fez bom marinheiro”. Eu não sou marinheiro. Sou “cunheiro”. Opto sempre pela bonança.

Essa ânsia pelo completo me motiva. Fechar um assunto, esgotá-lo em suas causas e consequências é um deleite. Tanta subjetividade não pode atender aos ditames da micro-história; ainda assim, não me preocupo com o rigor científico. A narrativa é igualmente importante. Quem se põe a escrever tem no leitor a sua finalidade última.

O Jacuhy nunca foi o único a divulgar a história de Cunha. O querido professor João Veloso, um ícone, ainda era vivo quando fiz minha primeira postagem. O professor Victor Amato estava em plena atividade. O grupo virtual “Memória Cunhense”, no Facebook, estava com a audiência lá em cima. O Jacuhy veio para somar: ser mais um canal cultural, propagando notícias históricas e geográficas de Cunha.

Na época (2016/2017), fazia-se, no “Memória Cunhense”, o debate sobre a correção da data de aniversário de Cunha, propondo sua mudança para a data de fundação do município: 19 de março. Engajei-me nessa questão, mas quis ir além. No grupo, escrevia-se muito sobre o assunto. Os que apoiavam a mudança — a maioria — fundamentavam-se no livro do professor João Veloso (A História de Cunha); já os que eram contra, por diversas razões, apoiavam-se na banalidade da ação ou em outras fontes. Foi um período interessante: uma comunidade debatendo sua história e buscando alterar a história oficial.

A vitória do “19 de março” foi a vitória das ideias do professor João Veloso, levadas adiante pelo professor Victor Amato. Foi a municipalidade, por meio de uma lei, reconhecendo publicamente os 40 anos de pesquisa sobre Cunha de João Veloso: fundador do Museu Francisco Veloso, do Centro de Cultura e Tradição e pioneiro em tantas outras ações em prol da comunidade. Um reconhecimento merecido — e ainda pequeno diante de tudo o que ele foi.

Neste tempo de modernidade líquida, 10 anos é muito tempo. As mudanças já não esperam gerações: acontecem a todo momento e alteram o curso dos acontecimentos. Por isso, qualquer prognóstico sobre o Jacuhy é incerto. Se este fosse meu último post, ficaria feliz por tudo o que já publiquei na internet.

Não sou pesquisador, nem tenho nisso o meu trabalho. Sou real. Também estou sujeito às intempéries da vida — e tenho passado por algumas delas. Peço desculpas pelas ausências dos últimos meses. Tento contorná-las, mas não é fácil. Tudo requer tempo, este recurso escasso. Há coisas que o Jacuhy tem deixado pela metade: o mapa hidrográfico, a Proclamação da República em Cunha, os arquivos da escravidão, a política na década de 1930, uma biografia sobre o Molinari, o livro que quero escrever…

Lido com a ansiedade de não poder explorar todos os meandros do tempo ainda não visitados. E são muitas as curvas desconhecidas nesse rio tricentenário da história de Cunha.

Entre um café e um livro velho — que ataca minha rinite — vou prosseguindo. É muito difícil definir prioridades e sacrificar hobbies. Saudades de 2016! Não precisava me preocupar com tantas coisas… As intempéries da vida são forças morfoesculturais que moldam nossa existência e são alheias à nossa vontade. Devo aprender diariamente que, como disse o poeta Fernando Pessoa, “viver é não conseguir”.

Postagens mais lidas de 2021

Meio ambiente, economia e história de Cunha foram os assuntos mais lidos. Arte: Jacuhy.

Em 2021 criamos este blog utilizando a plataforma do WordPress. O objetivo era fornecer um meio que facilitasse a leitura das postagens em nossa página no Facebook, quase todas extensas demais (“textões”) e cuja leitura ficava prejudicada naquela rede social.

Reaproveitamos postagens antigas já feitas e publicamos neste blog. Também fizemos outras matérias inéditas. A temática é a mesma da página: a história, a cultura e a geografia do município de Cunha, ampliando a escala, às vezes, para o nível estadual e regional.

Foram 68 postagens tratando de temas diversos, como podemos verificar nas “tags” principais, que estão dispostas em nuvem na lateral direita: agropecuária, bairros rurais, cerâmica, cultura, demografia, economia, fotografia, geografia, história, história do brasil, joão veloso, livros, mapas, mata atlântica, meio ambiente, população, reflexão, revolução de 1932, são paulo, turismo, unidades de conservação, vale do paraíba etc. Muita coisa foi escrita, mas ainda há muito a se tratar. E vamos pesquisando e postando aqui na medida do possível.

Agradecemos os nossos 3.320 seguidores do Facebook pela força. Eles contribuíram para que este blog recebesse 7.346 visitantes e que as matérias publicadas tivessem 9.269 visualizações. Novas notícias sobre coisas passadas serão publicadas em breve. E entrevistas também. Aguardem. Gratidão a todos! Feliz 2022!

Postagens mais lidas em 2021, por ordem e título (clique sobre o título para lê-las):

#1 Mata Atlântica está se regenerando no município de Cunha

#2 A chegada dos primeiros ceramistas a Cunha

#3 Cunha: maior produtora paulista de leite

#4 10 curiosidades sobre Cunha

#5 Geada em Cunha

#6 Pedra do Frade – Cunha – SP

#7 A História de Cunha (por João Veloso)

#8 Museu Francisco Veloso inaugura site

#9 Igreja Metodista do Jericó: 120 anos de fé entre as montanhas

#10 Lagoinha já foi distrito de Cunha

Jacuhy cria canal no YouTube

Visual do canal do Jacuhy. Aguardamos vocês por lá.

A História de Cunha precisa ser divulgada em todas as mídias sociais e em todos os formatos possíveis. A disseminação de informações relevantes sobre a história e geografia cunhense é uma das missões do Jacuhy. É preciso alcançar todos os públicos, sobretudo os mais jovens. E também aqueles que já concluíram seus estudos. Nunca é tarde para aprender mais um pouco. E nunca é cedo para começar a aprender. O Jacuhy tem se orientado por essas premissas e por outras no mesmo sentido desde quando fez sua primeira postagem, lá em 2016. É preciso explorar ou fazer acontecer a função pedagógica das redes sociais.

E, considerando todas essas coisas, o Jacuhy resolveu criar um canal no YouTube, maior rede social mundial de conteúdo audiovisual. A priori, porque o WordPress (a plataforma deste blog) não fornece suporte para inserção de vídeo nos posts. Pelo menos não no plano que dispomos. Também não permite a inserção de vídeo já postado no Facebook, via código ou link, por exemplo. Todavia, permite a inserção de vídeo já postado no YouTube. Menos mal. Algumas postagens podem ser enriquecidas com vídeos, além de fotos e links, que já são habituais por aqui.

Já subimos um vídeo com fotografias antigas de Cunha por lá, inclusive. Veja abaixo.

É claro que a produção de vídeos específicos sobre a história e geografia cunhense é o nosso desejo para o futuro. Com a criação do canal, abre-se um leque de oportunidades a serem exploradas, visando sempre a divulgação de Cunha, com finalidade pedagógica. Assim esperamos e tentaremos fazer; dentro das nossas limitações e apesar delas.

Caso tenha conta por lá, se inscreva em nosso canal, clicando aqui. Ou entrando pelo link abaixo:
https://www.youtube.com/channel/UCa7xRrUeSi4krfGDgRt6fPg

Um grande abraço e muito obrigado por nos seguir e divulgar.

Jacuhy chega a 3 mil curtidas no Facebook

Jacuhy atingiu 3 mil curtidas no Facebook! Oba! É pouco? Eu acho que não. Por ser tão restrita a Cunha e ao seu território; nem sempre, é verdade; mas majoritariamente é municipal a escala de suas postagens.

Muito obrigado a todos(as). É muito bom saber que não gosto de Cunha sozinho. E sigam curtindo, comentando, compartilhando. Criticando, discordando, sugerindo… Não sou dono da razão. Não existe Ciências Humanas sem discussão, sem um debate honesto e sincero. E nem Ciência sem contraditório.

“Universalizar o entendimento sobre o lugar onde se vive e atuar sobre ele: eis a missão principal da Geografia”

Aziz Nacib Ab’Saber (1924 – 2012)

Embora a página esteja mais voltada às curiosidades históricas, não pode se furtar às certas questões com a profundidade que elas merecem. E necessitam.

Jacuhy está aí para isso. Hic et ubique.

Perfil no Instagram

Segue lá!

Criamos um perfil no Instagram para aumentar a divulgação das postagens da página e deste blog.

Por enquanto, estamos apenas repostando as publicações do blog, mas daqui um tempo haverá conteúdo único, sobre a nossa temática de abordagem, voltado para os seguidores do Instagram.

Além disso, pretendemos utilizar as ferramentas interativas que só existem por lá, a fim de ampliar a divulgação da história, geografia e cultura de Cunha.

Aguardamos vocês por lá. Inté mais.

Link: https://www.instagram.com/jacuhy/

Sobre este blog

Este é o blog da página Jacuhy, do Facebook.

Todos os textos, fotos, mapas e as postagens diversas feitas pela página estarão publicados também aqui.

O objetivo deste sítio é facilitar a leitura de textos maiores, comuns nas postagens da página, além de servir como uma paragem para aqueles que não possuem perfil em redes sociais.

As postagens no Facebook, sobretudo aquelas com texto grandes, são prejudicadas. Textos muito grandes têm uma parte ocultada e ficam totalmente deformes, o que compromete a sua legibilidade. A rede social preza por conteúdos mais interativos, de leitura mais rápida e pelos conteúdos em formato audiovisual.

Agradeço a visita de todos. Caso queiram interagir com o autor, utilizem a ferramenta “Deixe um comentário”, que fica na parte inferior da publicação. Ou, se preferirem, entrem na aba “Contato”, que fica no cabeçalho deste blog. Responderei assim que ler e puder. Críticas e sugestões são bem-vindas.

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