O tupi na toponímia cunhense

O tupi está muito presente na toponímia cunhense. Muitos bairros de Cunha foram denominados com vocábulos da língua original do Brasil. Mas quem os batizou assim? Foram os indígenas ou paulistas?

Catioca, Itambé, Itacuruçá, Jacuí, Paraitinga, Paraibuna, Mantiqueira, Cajuru, Canjara, Canhambora… Por que há tantos topônimos tupis na geografia cunhense? A resposta óbvia, a presença indígena, não se sustenta historicamente, pois muitos estudiosos dos povos originários comentam que tanto os Guaianases quanto os Puris, povos que habitavam onde hoje é o município de Cunha, pertenciam ao tronco linguístico do Macro-Jê, ou seja, não falavam tupi.

Aspecto das montanhas do bairro do Itambé, município de Cunha (SP).

Outra hipótese que busca elucidar essa questão é a de que esses lugares foram denominados pelos próprios paulistas durante o processo de ocupação e colonização do território. Isso ocorreu porque, até o século XVIII, os paulistas falavam uma língua geral (“tupi paulista”), que misturava a língua portuguesa com a língua tupi, fazendo amplo uso dos vocábulos tupis para batizar os lugares de que se apossaram.

Essa variante do tupi original explica a geografia cunhense? Parcialmente, sim. Mesmo com a proibição do Marquês de Pombal, em 1758, em uma tentativa arbitrária de implantar a língua dos colonizadores na marra, abolindo a língua geral, ela sobreviveu na geografia, nos mapas, no sotaque e no nosso jeito de falar, como expressão de identidade cultural.

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