Mapa municipal e planta da cidade de Cunha (1938)

Esta é a planta da cidade de Cunha, desenhada em 1938, para compor o nosso primeiro mapa municipal. Faz parte do acervo do IGC (Instituto Geográfico e Cartográfico do Estado de São Paulo).

Com a ditadura de Vargas, durante o Estado Novo, foi decretada a organização e fixação da divisão territorial do Brasil (estados, municípios e distritos), conforme Decreto-Lei nº 311, de 2 de março de 1938.

Getúlio Vargas, Presidente da República, e Christovam Leite de Castro, Secretário-Geral do Conselho Nacional de Geografia, inauguram, em 1940, a Exposição Nacional dos Mapas Municipais, na cidade de Curitiba (PR). Foto: IBGE.

Esse decreto estabeleceu a obrigatoriedade da confecção de mapas de todos os municípios brasileiros. Medida fundamental para a centralização do poder durante o Estado Novo. Também uniformizou o conceito de “município” e “distrito” no Brasil. Permitiu a criação de estatísticas padronizadas e mapas oficiais do território brasileiro, servindo de base para as pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), criado em 1936. Houve uma grande exposição desses mapas no Rio de Janeiro.

Em 1938, o nosso município continha Cunha, que era o distrito-sede, e contava com mais dois distritos: Campos de Cunha (rebatizado assim, arbitrariamente, durante o Estado Novo, pois já havia outro lugar chamado “Campos Novos” em São Paulo) e Lagoinha. Sim, nossos vizinhos já foram nossos conterrâneos.  Já tratamos desse fato aqui no Jacuhy.

A cidade de Cunha, em 1938. Foto: ENFA. Acervo: Museu Municipal Francisco Veloso.

O mapa de Cunha foi confeccionado pelo Instituto Geográfico e Geológico de S. Paulo (IGG), que teve como suporte fotografias aéreas tomadas pela Empresa Nacional de Fotos Aéreas (ENFA), que foi fundada em 1938 e focava em levantamentos aerofotogramétricos, uma técnica que utiliza fotografias aéreas para criar mapas e outros produtos cartográficos. Algumas dessas fotos aéreas estão preservadas até hoje e compõem parcialmente o acervo fotográfico do Museu Francisco Veloso.

O renomado IGG, mesmo com esses suportes e com pessoal técnico qualificado, cometeu falhas consideráveis na confecção do mapa de Cunha. O contorno territorial na sua parte sul e sudoeste ficou desfigurado. Por desconhecimento da comissão técnica? Por falta de apoio em campo e de uma base cartográfica confiável? Ou pela própria dificuldade do terreno, nessa região coberto por densa e impérvia mata? Os motivos podem ser muitos.

Apesar de bastante equivocado e com o traçado territorial todo impreciso, o mapa municipal de 1938 é histórico. Não apenas por ser o primeiro, mas também pelos recursos financeiros e técnicos alocados em sua elaboração. Nunca antes nada assim fora feito. Foi o primeiro a representar o nosso município em sua integralidade.

Mapa Municipal de Cunha, 1938. Fonte: IGC.

Além de apresentar as divisas municipais e distritais, localizar os 3 núcleos urbanos (Cunha, Lagoinha, Campos Novos) com o seu arruamento, esse mapa municipal situou 45 bairros rurais, alguns já desaparecidos, por exemplo, o “Águas Claras”, o “Fogo Vermelho”, o “Lageado de Cima”, o “dos Borges”, entre outros. E, ainda, determinou o Morro Agudo (Pico Agudo) como ponto culminante de Cunha, apesar de errar a localização montanha. De acordo com a carta topográfica do IBGE, o Pico Agudo tem 1.320 metros de altitude.

Só na década de 1960 é que esses equívocos foram corrigidos, pois houve deu-se início o mapeamento sistemático do território nacional, com levantamento aerofotográfico, apoio em campo e confecção de cartas hipsométricas, na escala de um para cinquenta mil. Empreitada que o IBGE levou adiante, determinando com precisão os limites de Cunha e sua rede hidrográfica, fundamental no estabelecimento de limites territoriais, que têm por base os interflúvios.

No Censo de 1940, Cunha apresentou sua maior população na série histórica dos recenseamentos: 24.818 habitantes. Talvez pelo acréscimo da população de Lagoinha. Território extenso. Mas a cidade era pequena. Moravam na urbe apenas 975 pessoas. Muitas casas da zona urbana eram de famílias da roça, que só visitavam a cidade nas festividades religiosas. Ficavam fechadas na maior parte do ano.

Montagem feita pelo Jacuhy, com sobreposição do Mapa Municipal de 1938 com imagem de satélite atual de Cunha, retirada do Google Earth.

A cidade de Cunha de 1938 corresponde, hoje, ao atual bairro do Centro. Seu perfil longitudinal, uma rugosidade dos tempos coloniais, é uma expansão da artéria da antiga Estrada Real. É o peso do tempo sobre o espaço, marcando ainda em nossos dias o formato da mancha urbana da nossa cidade.

Um comentário em “Mapa municipal e planta da cidade de Cunha (1938)

  1. O TRABALHO DA EQUIPE DO JACUHY E BEM FEITO E MUITO INTERESSANTE. IRAPUÃ TEIXEIRA

Deixe uma resposta