Das Abóboras à Zaranha: IBGE identifica 271 bairros rurais em Cunha

Aspecto do bairro do Monjolo, região sudeste do município de Cunha.

Falar de bairro rural é falar de um pedaço do mundo que não cabe apenas no mapa. É a vizinhança que se reconhece pelo nome, pela capela, pelo campo de futebol, pelo bar de “fulano de tal”, pela estrada de terra, pela festa do padroeiro, pelo mutirão e pelo jeito como as famílias se ajudam quando a lida aperta. Antonio Candido, em Os Parceiros do Rio Bonito (1964), mostrou que a vida caipira não pode ser entendida só pela economia. Ela se organiza também pela sociabilidade, pelos vínculos de vizinhança e pelo ajuste entre grupo humano e meio; em outras palavras, a cultura nasce no território vivido. Após o icônico “Ocê é gente di queim?”, sempre vem “Ocês são di ondi?”. O lugar importa, e importa muito, sim, senhor.

Em Cunha, esse tema ganha um peso ainda maior. O município, que não é populoso (população estimada em 2025, pelo IBGE, em 22.460 habitantes), tem sua população bem distribuída pelo seu amplo território, com mais de 1.407 km², o maior do Vale do Paraíba, apresentando uma densidade demográfica baixa, de 15,71 habitantes por km². Essa dispersão populacional ocasionou a existência, em seu território, de 2.287 estabelecimentos de produção agropecuária, número bastante elevado para o contexto estadual. Desse total, 74% são unidades classificadas como de agricultura familiar. É o município paulista com maior número de unidades de produção agrícola, superando, inclusive, Mirante do Paranapanema, município que é símbolo da reforma agrária e da luta contra a concentração fundiária no Brasil.

A paisagem cunhense, caprichosamente adornada por morros, vales, pastos, roças, capões de mata e caminhos que sobem e descem a serra, ajuda a entender por que os bairros rurais seguem tão importantes: eles são uma forma prática e afetiva de organizar a vida no campo. Não é por acaso que, de acordo com o Censo 2022, Cunha contava com 9.060 moradores rurais, o que significa cerca de 41% da população estava vivendo na roça. Um percentual muito alto para os padrões paulistas, estado em que a população rural corresponde a cerca de 2,6%. A distribuição dessa população pelo espaço rural possibilita a formação dos bairros rurais, pois, de acordo com Antonio Candido, o bairro é o “agrupamento de algumas ou muitas famílias, mais ou menos vinculadas pelo sentimento de localidade, pela convivência, pelas práticas de auxílio mútuo e pelas atividades lúdico-religiosas. As habitações podem estar próximas umas das outras, sugerindo por vezes um esboço de povoado ralo; e podem estar de tal modo afastadas que o observador muitas vezes não discerne, nas casas isoladas que topa a certos intervalos, a unidade que as congrega”.

Na geografia cultural e na geografia agrária, o bairro rural pode ser visto como um espaço de enraizamento. Ele não é apenas uma localização; é um lugar carregado de memória, uso e pertencimento. Por isso, quando se observa Cunha, não se vê apenas produção agropecuária: vê-se uma malha de relações que mistura família, trabalho, religião e tradição. E há um fundo poético nisso tudo. Quando se ouve uma moda de viola ou se lê um verso que fala da terra como companhia de vida, entende-se melhor o que a geografia às vezes tenta dizer em palavras mais formais: a paisagem rural não é cenário, é experiência. Em Cunha, isso ainda salta aos olhos. Bairro não é um simples espaço; é lugar. Lugar de pertencimento, de memórias, de afeto, de extensão imediata do lar, de elo com a terra, torrão sagrado onde o caipira teve seu “umbigo enterrado”. Tal como na moda de viola “Rio Pequeno”, um dos grandes sucessos da dupla Tonico e Tinoco, lançada em abril de 1952, sair do bairro onde foi criado é abandonar parte de sua vida, de sua identidade: “O zóio dela encheu d’água, despediu co’a voz tremeno / Adeus, casa dos meus pais! Adeus, chão do Rio Pequeno!”

Bairro, o chão da cultura caipira

Aspecto do bairro da Cachoeira dos Rodrigues, região oeste do município de Cunha. Foto: Edson Luiz de Oliveira. Data: abr. 2022.

“O que é bairro? – perguntei certa vez a um velho caipira, cuja resposta pronta exime numa frase o que se vem expondo aqui: ‘Bairro é uma naçãozinha!’ – Entenda-se: a porção de terra a que os moradores têm consciência de pertencer formando uma certa unidade diferente das outras.”

Antonio Candido, in Os parceiros do Rio Bonito

Os bairros rurais têm importância porque são, antes de tudo, lugares de convivência. Neles se cruzam a reza do terço, a folia, a festa do santo, o café coado no fogão, a visita sem cerimônia e o trabalho repartido entre família, vizinhos e compadres. A cultura caipira não vive solta no ar; ela precisa de chão, de rotina e de repetição. É no bairro rural que os saberes passam de uma geração para outra: o jeito de plantar, de criar, de cozinhar, de falar, de celebrar e de cuidar da terra. Candido, autor do excerto acima, mostrou que a vida caipira se estrutura em unidades mínimas de sociabilidade e cooperação, ligadas ao modo de viver e ao meio em que se assentam. Em Cunha, conforme estudo realizado na década de 1980 pela antropóloga Rosane M. Prado, os bairros rurais ocasionam diferenciações de valor que marcam as atividades humanas, bens, relações e símbolos no contexto local, levando em conta fatores como “maior ou menor distância da cidade, o que está associado à ideia de isolamento e dificuldade de acesso, e pelo aspecto de certas associações a propósito da ‘fama’ de determinados bairros. Assim, por exemplo, o Monjolo é associado a ‘gente brava’, ‘de briga’; a Capivara é lugar ‘mais caipira’, no sentido de ‘mais atrasado’; o Jericó é ‘dos metodistas’, lugar de gente ‘mais munheca’, ‘pão dura’. Também alguns bairros rurais são associados às próprias famílias que lhes dão nome, como o Sertão dos Marianos”. Ou seja, ser de determinado bairro já lhe garante certa identidade, característica inata e herdada da coletividade local, que precede a individualidade.

Por isso, o bairro rural é mais do que uma referência espacial. Ele é um território vivido. É ali que a paisagem ganha rosto humano e a cultura ganha matéria concreta. Uma estrada pode parecer apenas uma via de circulação, mas, no bairro rural, ela também é caminho de procissão, trajeto de escola, rota do leite, caminho antigo de tropeiro, passagem de cavaleiro e linha de contato entre casas dispersas. O lugar não existe só por sua forma, mas pelo uso e pelo sentido que as pessoas lhe dão. Em Cunha, onde a paisagem montanhosa fragmenta as ocupações e aproxima os moradores por núcleos de vizinhança, os bairros rurais seguem sendo uma base da identidade local.

Êxodo rural, esvaziamento e mudanças da paisagem

Aspecto do bairro do Jericó, região sudoeste do município de Cunha. Foto: Iverson Leite.

Mas essa paisagem vem mudando. O êxodo rural, que marcou boa parte do interior paulista ao longo do século XX e segue produzindo efeitos no século XXI, retirou moradores do campo, envelheceu comunidades e enfraqueceu laços tradicionais. No Brasil, o Censo 2022 registrou 25,6 milhões de pessoas em áreas rurais, contra 177,5 milhões em áreas urbanas, confirmando a continuidade histórica da urbanização. Em Cunha, mesmo com taxa de natalidade elevada, a população ficou estagnada durante todo o século XX. No estado de São Paulo, onde a presença rural é proporcionalmente muito pequena, esse processo foi ainda mais forte. Vivemos com toda intensidade a ideologia do progresso a todo custo, do “São Paulo não pode parar”, que esvaziou roças e memórias.

Nos bairros rurais, o resultado disso aparece no que os olhos logo percebem: casas vazias, antigas áreas de cultivo em descanso, festas menores, escolas fechadas, menos jovens permanecendo na roça. Está tudo virando tapera. A paisagem muda quando a população muda. E a cultura também sente o golpe. Quando uma comunidade perde moradores, ela não perde apenas número; perde memória compartilhada, perde prática social, perde voz coletiva. Municípios do interior paulista, antes marcados por forte presença caipira, passam a ter uma vida rural mais rarefeita, às vezes mantida por poucos idosos ou por propriedades voltadas a usos novos, menos ligados ao cotidiano tradicional do campo. O processo de terceirização do campo avança.

Essa mudança também altera a demografia local. Com menos jovens no meio rural e maior concentração de serviços e empregos nas sedes urbanas, o campo deixa de ser visto como lugar de futuro por muitas famílias. O problema é que, quando isso acontece, não desaparece só uma forma de morar. Some também uma maneira de organizar o território, de cultivar a terra e de reconhecer o município como herdeiro de uma cultura própria.

Cunha e a força da agricultura familiar

Aspecto do bairro da Pedra Branca, região leste do município de Cunha. Foto: Pedro Ribeiro. Data: 2002.

Em Cunha, o campo ainda é parte central da vida municipal. Isso se traduz na força da agricultura familiar cunhense no contexto estadual, com o município liderando ou ficando entre os primeiros em vários setores de produção agrícola. Mesmo com o esvaziamento do campo, muitos pequenos agricultores e pecuaristas permanecem na lida rural produzindo alimentos. E são essas pequenas propriedades familiares que fazem de Cunha a maior produtora paulista de leite e uma das maiores produtoras de hortaliças, milho, feijão e porcos da região. A base produtiva rural local está estruturada na pequena e média unidade tocada por famílias. E essa é uma das razões do seu sucesso.

Os levantamentos realizados pelo Censo Agro 2017 e do LUPA 2016/17 apontam justamente nessa direção: o município aparece como uma área fortemente marcada pela agricultura familiar e pela diversidade produtiva, a ponto de ser descrito como uma “potência da agricultura familiar”. Foram identificadas 3.452 unidades de produção agropecuária, com mais de 102 mil hectares de área ocupada com alguma cultura, pastagem ou reflorestamento. A maioria das propriedades está compreendida na faixa entre 5 e 50 hectares, ou seja, a estrutura fundiária é composta por minifúndios. O município se destaca na produção de milho, feijão, mel, cana, pinhão, café e frutas e hortaliças diversas; e na criação de bovinos para leite e corte, frango caipira, trutas, cavalos e mulas e porcos. Geograficamente, isso significa que o território de Cunha continua sendo sustentado por uma trama de pequenas propriedades, produção diversificada e forte vínculo entre moradia e trabalho, arranjo bem diferente daquele das áreas onde a modernização agrícola concentrou terra, mecanizou tudo e expulsou moradores.

Bairros rurais identificados

Aspecto do bairro da Aparição, região sudeste de Cunha.

Diante desse contexto geográfico disperso, ruralizado e fundamentado no trabalho familiar, o IBGE identificou 270 bairros rurais no município de Cunha, durante a realização do Censo Demográfico de 2022. Eis a lista:

  1. – Abóboras
  2. – Água Fria
  3. – Água Fria (Bangu)
  4. – Água Limpa
  5. – Águas de Santa Rosa
  6. – Alto da Bocaininha
  7. – Alto do Sapé
  8. – Amorim
  9. – Angico
  10. – Antônio José
  11. – Aparição
  12. – Araçaeiro
  13. – Araruna
  14. – Assunção
  15. – Atibaia
  16. – Balaieiro
  17. – Bananal
  18. – Bangu
  19. – Barra do Chico do Lau
  20. – Barra do J. Alves
  21. – Barrinha
  22. – Barreira (Campos Novos)
  23. – Barreiro (Abóboras)
  24. – Barreiro (Bangu)
  25. – Barro Vermelho
  26. – Bichinho
  27. – Boa Esperança
  28. – Boa Vista (Campos Novos)
  29. – Boa Vista (Igreja de São José)
  30. – Boa Vista (Jaguarão)
  31. – Boa Vista (Pedra Branca)
  32. – Bocaina de São Roque
  33. – Bocaininha da Boa Esperança
  34. – Bom Retiro
  35. – Borda do Campo
  36. – Brejaúva
  37. – Brejinho (Guabirobas)
  38. – Brejinho (Monjolo)
  39. – Bugio
  40. – Buracão
  41. – Cachoeira (Cedro)
  42. – Cachoeira dos Rodrigues
  43. – Cachoeirinha (dos Gatos)
  44. – Cachoeirinha (Monjolo)
  45. – Cachoeirão (Barra J. Alves)
  46. – Caçador Novo
  47. – Campo
  48. – Campo Alegre (Aparição)
  49. – Campo Alegre (Bocaina)
  50. – Campo Belo
  51. – Campo da Bocaina
  52. – Campinho (Bocaina)
  53. – Campista
  54. – Camundá
  55. – Cana do Reino
  56. – Canjara
  57. – Caneleira
  58. – Cantagalo
  59. – Capetinga dos Fagundes
  60. – Capetinga dos Motas
  61. – Capinzal
  62. – Capivara
  63. – Capoeira do Fundo
  64. – Capoeirinha
  65. – Carneiros
  66. – Carrapatal
  67. – Carrasquinho
  68. – Castelo
  69. – Catioca
  70. – Catioquinha
  71. – Cedro
  72. – Charquinho
  73. – Cocho
  74. – Comprida
  75. – Condomínio Santana (Paraitinga)
  76. – Conselho
  77. – Córrego da Onça
  78. – Córrego Fundo (Barra J. Alves)
  79. – Córrego Fundo (Jaguarão)
  80. – Córrego Seco
  81. – Cume
  82. – Curral
  83. – Curralinho
  84. – Desterro
  85. – Divino Mestre
  86. – Encruzilhada
  87. – Engenho
  88. – Entrecosto
  89. – Escurinho
  90. – Estiva
  91. – Fazenda Ibipeba
  92. – Fazenda Santana
  93. – Fazenda São Tomé
  94. – Fazendinha
  95. – Felicidade
  96. – Ferraz
  97. – Figueira (Paraitinga)
  98. – Figueira (Taboão)
  99. – Figueira (Várzea do Tanque)
  100. – Galvão
  101. – Gândara
  102. – Gaviroveira
  103. – Gorozol
  104. – Gramas
  105. – Grota do Buraco
  106. – Grotão
  107. – Guanabara
  108. – Guabirobas
  109. – Guandu
  110. – Guaranjanga
  111. – Guaricanga (Barra J. Alves)
  112. – Guaricanga (Juveva)
  113. – Ingá
  114. – Itacuruçá
  115. – Itaquatuba
  116. – Jacinto
  117. – Jacuí
  118. – Jacuí-Mirim
  119. – Jacuizinho
  120. – Jaguarão
  121. – Jardim
  122. – Jericó
  123. – Juveva
  124. – Lageado
  125. – Lagoa (Barra J. Alves)
  126. – Lagoa (Capivara)
  127. – Lagoa (Pedra Branca)
  128. – Laje
  129. – Lajinha
  130. – Limão
  131. – Limoeiro
  132. – Macuco
  133. – Mandinga
  134. – Maninha
  135. – Mantiquira
  136. – Marmeleiro (Campos Novos)
  137. – Marmeleiro (Engenho)
  138. – Martim
  139. – Mato Dentro (Campos Novos)
  140. – Mato Dentro (Catioca)
  141. – Mato Dentro (Cedro)
  142. – Mato Escuro
  143. – Mato Limpo
  144. – Milho Branco
  145. – Milho Vermelho
  146. – Mineiro
  147. – Mogango
  148. – Monjolinho (Campos Novos)
  149. – Monjolo
  150. – Mundéu
  151. – Onça
  152. – Oriente
  153. – Paineira (Vargem do Tanque)
  154. – Paineira de Cima
  155. – Paineiras (Jaguarão)
  156. – Paiol
  157. – Paiol Queimado
  158. – Paiol Velho (Campos Novos)
  159. – Paiol Velho (Catioca)
  160. – Paiol Velho (Cedro)
  161. – Paiol Velho (Vargem do Tanque)
  162. – Paiolzinho (Capivara)
  163. – Paiolzinho (Córrego da Onça)
  164. – Paiolzinho (Serra do Indaiá)
  165. – Paiolzinho (Taboão)
  166. – Palha Grande
  167. – Palmeiras
  168. – Palmital (Barra J. Alves)
  169. – Palmital (Parque Estadual)
  170. – Paraibuna
  171. – Paraitinga (Campos Novos)
  172. – Paraitinga de Baixo
  173. – Paraitinga dos Cubas
  174. – Paraitinga dos Gonçalves
  175. – Paraitinga dos Motas
  176. – Paraitinga dos Verreschi
  177. – Parque Estadual (da Serra do Mar)
  178. – Parreiral
  179. – Pasto do Gado
  180. – Pedra Branca
  181. – Pedra Preta
  182. – Pedras (Bocaina)
  183. – Pedreira
  184. – Peros
  185. – Pessegueiro
  186. – Pico Agudo
  187. – Pinhal (Barro Vermelho)
  188. – Pinhal (Campos Novos)
  189. – Pinhalzinho
  190. – Pinheiral
  191. – Pinheirinho (Bangu)
  192. – Pinheirinho (Barra J. Alves)
  193. – Pinheiro
  194. – Piri
  195. – Poço Fundo
  196. – Pontinha
  197. – Ponte
  198. – Ponte Alta
  199. – Ponte Furada
  200. – Ponte Nova
  201. – Praia
  202. – Quilombinho
  203. – Quilombo
  204. – Retiro (Cedro)
  205. – Retiro (Sapé)
  206. – Retiro das Palmeiras
  207. – Ribeirão
  208. – Rio Abaixo (Paraibuna)
  209. – Rio Abaixo (Ribeirão)
  210. – Rio Abaixo (Várzea do Tanque)
  211. – Rio Acima
  212. – Rio das Pedras (Capinzal)
  213. – Rio do Peixe
  214. – Rio Manso
  215. – Roça Grande
  216. – Rocinha
  217. – Rodeio (Paraibuna)
  218. – Roseira
  219. – Samambaia
  220. – Santa Cruz
  221. – Santa Rita
  222. – Sapé
  223. – Sapezal
  224. – São Roque
  225. – Serra do Indaiá
  226. – Serraria (Capivara)
  227. – Sertão da Santa Bárbara
  228. – Sertão do Itambé
  229. – Sertão do Pinhal (Pinhá)
  230. – Sertão dos Marianos
  231. – Sertãozinho (Jaguarão)
  232. – Sertãozinho (Jericó)
  233. – Sertãozinho (Várzea do Tanque)
  234. – Sete Voltas
  235. – Sítio
  236. – Sítio de Cima
  237. – Sítio Velho (Jardim)
  238. – Sítio Velho (Várzea do Tanque)
  239. – Soledade
  240. – Sororoca
  241. – Taboão
  242. – Tamancas
  243. – Tanque
  244. – Tanquinho
  245. – Tapera (Capinzal)
  246. – Tapera (Serra do Indaiá)
  247. – Taperinha (Campos Novos)
  248. – Taperinha (Catioca)
  249. – Taquaral
  250. – Tijuco Preto (Barra do J. Alves)
  251. – Tijuco Preto (Campos Novos)
  252. – Três Pontes
  253. – Três Pontes (Várzea do Gonzaga)
  254. – Usina (Cedro)
  255. – Vargem da Cachoeira
  256. – Vargem do Germano
  257. – Vargem do Joaquim Rosa
  258. – Vargem do Tanque
  259. – Vargem dos Pinheiros
  260. – Vargem Grande
  261. – Varginha (Macuco)
  262. – Varginha (Vargem do Tanque)
  263. – Varginha (Vargem Grande)
  264. – Várzea da Santa Cruz
  265. – Várzea do Cedro
  266. – Várzea do Gonzaga
  267. – Vassouras
  268. – Verde
  269. – Vidro
  270. – Vista Alegre
  271. – Zaranha

Para diferenciar os topônimos iterados, que foram vários, acrescentou-se, entre parênteses e à frente, o nome de um bairro próximo espacialmente, facilitando, assim, a distinção. Por exemplo, há 3 bairros denominados “Varginha” em nosso município; daí, para distingui-los, colocou-se “Varginha (Macuco)”, isto é, trata-se do bairro da Varginha próximo ao bairro do Macuco.

Limitações do Censo 2022 para identificar bairros rurais

Aspecto do bairro da Bocaina de São Roque, região nordeste do município de Cunha. Foto: Adilson Nunes.

Talvez algum bairro que você conheça não apareceu na lista supra. Isso não quer dizer que ele não exista. Por isso, é importante olhar com cautela para os dados do Censo Demográfico 2022 quando o assunto é nomear e delimitar bairros rurais. O IBGE deixa claro que o setor censitário é a principal unidade territorial de coleta e divulgação de dados do Censo. Também informa que a malha de bairros do Censo 2022 foi construída por meio do ajuste de setores censitários, sempre que isso foi viável, e que, em várias situações, os limites dos bairros precisaram ser aproximados graficamente por razões operacionais. Em alguns casos, sequer foram considerados os bairros, como aconteceu com os setores censitários de Cunha, porque nosso município ainda não tem uma lei delimitando seus bairros e não há um mapa municipal oficial com os seus bairros rurais. Resumindo: o levantamento do IBGE é um retrato útil, mas não se trata de uma cartografia fina da toponímia rural.

Isso ajuda a entender por que surgem problemas como nomes de estradas sendo tomados como se fossem bairros, ausências de bairros efetivamente conhecidos pelos moradores e denominações pouco precisas com os dados do Censo 2022. Quando a base de referência é setorial e operacional, e não um levantamento específico da memória territorial local, essas distorções aparecem com facilidade. O próprio IBGE ressalta que a representação dos bairros adotou generalizações para evitar fragmentação excessiva da malha e problemas de coleta.

Por isso, os bairros rurais identificados pelo Censo 2022 devem ser lidos como aproximações da realidade territorial, e não como lista definitiva. É um ponto de partida, mas precisa ser confrontado com conhecimento local, cartografia de campo, memória dos moradores e leitura crítica do território. Um levantamento completo, dada a extensão do município, é um processo custoso e trabalhoso e exigiria uma pesquisa com essa única finalidade.

Nesse sentido, com o intuito de dirimir os equívocos e evitar confusões com a localização e toponímia dos bairros, foi utilizada a metodologia DBSCAN, que consiste em analisar coordenadas geográficas agrupando automaticamente os pontos que estão próximos entre si com base em um raio definido (por exemplo, 2 km) e um número mínimo de vizinhos (minPts), utilizando distância real na superfície da Terra (Haversine); o processo começa identificando, para cada ponto, quais outros estão dentro desse raio, classificando-os como pontos centrais (com muitos vizinhos), pontos de borda (ligados a centrais) ou outliers (isolados), e então formando clusters ao conectar todos os pontos acessíveis entre si (inclusive aqueles ligados indiretamente por uma “cadeia” de proximidade) até que se obtenham grupos naturais de alta densidade, sem impor forma ou quantidade prévia, permitindo identificar regiões reais de concentração espacial e separar automaticamente áreas isoladas, o que torna o método mais adequado para análise territorial.

No mais, o autor valeu-se do seu conhecimento empírico, que é limitado, para realizar correções e adequações que se fizeram necessárias, em virtude de equívocos cometidos pelos recenseadores durante a coleta e transcritos para o CNEFE (Cadastro Nacional de Endereços para Fins Estatísticos), que é a base de dados do IBGE com todos os endereços do país. O CNEFE mapeia e georreferencia residências, estabelecimentos e obras em todo o território nacional. O arquivo digital do CNEFE do Censo 2022 do município de Cunha foi a base para realizar este levantamento toponímico.

E o futuro?

Aspecto do bairro do Sertão do Rio Manso, região sudeste do município de Cunha. Foto: Trip Rural. Data: 2020.

Cunha ainda guarda uma riqueza rara no interior paulista: muitos bairros rurais, uma população do campo numerosa e uma paisagem em que a cultura caipira ainda respira. Mas isso não significa estabilidade. Muitos desses bairros vêm perdendo moradores, envelhecendo e correndo o risco de desaparecer como comunidades vivas. E, quando um bairro rural se apaga, não se perde apenas uma referência geográfica; perde-se uma maneira de morar, trabalhar, festejar e lembrar.

Esse processo ameaça a continuidade da cultura caipira e atinge o coração da identidade municipal. A chegada de novos moradores vindos de fora pode trazer dinamismo e novas experiências, mas também pode enfraquecer vínculos antigos quando não há relação com os costumes, a memória e as práticas do lugar. O risco está em transformar o campo apenas em paisagem de contemplação e consumo, esvaziando-o de sua vida social mais funda.

Diante disso, pode-se perguntar: o campo ainda é viável? É um questionamento que não tem uma única resposta. Há os novos rurais, o êxodo urbano e uma demanda crescente por alimentos mais saudáveis. Todos esses fatores apontam que há, sim, uma saída para roça. Mas é preciso fortalecer o camponês. Valorizar os bairros é defender uma forma de futuro em que o campo continue sendo produtor de alimentos, de cultura e de pertencimento. Em uma época em que tantas paisagens do interior se tornam homogêneas, Cunha ainda pode afirmar sua diferença: a de um município paulista que segue sendo, em muitos sentidos, genuinamente caipira. E talvez seja justamente aí que esteja uma de suas maiores forças.

“O futuro a Deus pertence”, responderia um bom cunhense. Assim seja.

Referências:
Antonio Candido. Os parceiros do Rio Bonito: estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida. 1964.
Ester, M.; Kriegel, H.-P.; Sander, J.; Xu, X. A Density-Based Algorithm for Discovering Clusters in Large Spatial Databases with Noise. Proceedings of the 2nd International Conference on Knowledge Discovery and Data Mining (KDD). 1996.
IBGE. Censo Demográfico 2022: Agregados por Setores Censitários – Resultados do universo. 2025.
______. Censo Demográfico 2022: Cadastro Nacional de Endereços para Fins Estatísticos – CNEFE. 2022.
SECRETARIA DE AGRICULTURA E ABASTECIMENTO. COORDENADORIA DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA INTEGRAL. INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA. Levantamento censitário das unidades de produção agropecuária do Estado de São Paulo – Projeto LUPA 2016/17. 2019.

Cunha é a segunda cidade menos arborizada da região

A Praça do Rosário, no centro de Cunha, apesar da bela vista para a Serra do Mar, é pouco arborizada e cuidada. Foto: Paulo Pontes. Data: 2019.

A cidade de Cunha é a segunda menos arborizada da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte (RMVPLN), de acordo com dados do Censo 2022, divulgados no dia 17 de abril, quinta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a pesquisa Características Urbanísticas do Entorno dos Domicílios, nossa cidade apresenta apenas 16,87% de seus domicílios com uma ou mais árvores no entorno. A cidade menos arborizada é Arapeí, com 8,57%. Piquete, outra cidade turística da nossa região, também apresenta um índice baixo, com 25,36%. Vale lembrar que nossa região conta com 39 municípios, cuja população ultrapassa 2,5 milhões de habitantes e é altamente urbanizada, com 94,7% desse contingente vivendo em áreas urbanas.

É interessante perceber as mudanças pelas quais a paisagem urbana de Cunha passou ao longo do tempo. Por exemplo, quando observamos fotos das décadas de 1930 e 1940 (vide na galeria acima), percebemos que era uma cidade muito menor, porém muito mais arborizada do que é hoje. Lembrava aquelas charmosas vilas europeias. As ruas centrais e a Praça da Matriz eram adornadas e ladeadas por árvores. Cunha, naquele tempo, ainda não era uma cidade turística, como é atualmente.

O último grande projeto de arborização da cidade ocorreu na década de 1970, durante o mandato do ex-prefeito José Elias Abdalla (Zelão), que tinha como objetivo embelezar a cidade, na esperança de promover o despertar turístico de Cunha. Muitas das árvores então plantadas, já envelhecidas e malcuidadas, foram, ao longo do tempo, sendo cortadas pela gestão municipal para ampliar ou remodelar as vias públicas — ou pela Defesa Civil, devido aos riscos que apresentavam aos moradores e transeuntes.

Desse projeto urbanístico — um dos muitos idealizados por esse visionário prefeito — restou apenas a arborização da Avenida Padre Rodolfo, no bairro do Alto do Cruzeiro. Por isso, é a avenida mais verde e bonita da cidade. Aquelas sibipirunas são um presente à Santa Casa, aos seus convalescentes e aos moradores do entorno. Esperamos que essa avenida nunca venha a ser descaracterizada, como infelizmente ocorreu com tantas outras.

Praça Cônego Siqueira descaracterizada. Dos bancos em “S”, nos anos 1980/1990, para um arremedo de centro de eventos e festas, uma verdadeira gambiarra. Foto: Paulo Pontes. Data: 2019.

Até a década de 1990, a Praça da Matriz e a Praça Cônego Siqueira — sempre locais de encontro dos cunhenses de todas as gerações — ainda contavam com mais de uma dúzia de árvores. Até mesmo uma vetusta e frondosa araucária, símbolo de Cunha, localizada ao lado, no terreno da Prefeitura (onde atualmente funciona a Secretaria Municipal de Educação), veio a morrer misteriosamente nos últimos anos. Depois que decidiram transformar a praça em um centro de eventos, o verde foi cedendo espaço a estruturas metálicas e plásticas, de gosto estético bastante duvidoso. A arborização, sempre prometida, foi sendo deixada “para depois” — um “depois” com prazo indeterminado, ao que tudo indica. A cada reforma ou remodelação, mais concreto e pedra. E mais árvores sacrificadas. Um contrassenso em um lugar que promove o ecoturismo e outras características naturais como atrativos turísticos.

Vista de drone da Igreja de Nossa Senhora da Conceição – construção de 1731 no estilo barroco paulista, na Praça Cônego Siqueira e da Matriz. Nota-se poucas árvores na praça central. Data: maio de 2018. Autor: Rubens Chaves/Pulsar Imagens.

Em entrevista concedida ao Jacuhy, há alguns anos, o engenheiro agrônomo Glênio Wilson de Campos, da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), que esteve à frente da Casa da Agricultura de Cunha entre as décadas de 1970 e 1980, apontou que a falta de arborização é um dos problemas da cidade, não apenas por uma questão ambiental, mas também estética, considerando o enorme potencial turístico do município. À época, o engenheiro Glênio sugeriu o plantio de pereiras como solução, pois, além de serem árvores frutíferas, adaptam-se bem a ambientes urbanos. Cunha, no passado, chegou a realizar a “Festa da Pera” e era a maior produtora paulista dessa fruta, graças aos inúmeros pomares mantidos por seus pequenos produtores. Obviamente, não podemos deixar de mencionar que a Mata Atlântica — bioma no qual nosso município está inserido — possui uma flora riquíssima, com diversas espécies que se adaptam muito bem aos espaços urbanos.

Embora o Brasil seja o maior país tropical e abrigue a maior floresta do mundo, seus espaços urbanos ainda carecem de árvores. Segundo o IBGE, 66% dos brasileiros vivem em ruas arborizadas, mas um terço mora em vias sem qualquer árvore. “O fato de 66% dos brasileiros viverem em trechos de ruas com pelo menos uma árvore é um número significativo”, afirmou o geógrafo Jaison Cervi, da Coordenação de Geografia do IBGE. “O problema é que as porcentagens variam muito de acordo com a região do país.” Curiosamente, a Região Norte é a menos arborizada. Também não deixa de ser curioso que Cunha, município que abriga duas unidades de conservação em seu território, esteja entre os menos arborizados do Vale. Na verdade, é inaceitável.

A arborização é crucial para melhorar a qualidade de vida nas cidades e combater o aquecimento global. As árvores purificam o ar, reduzem a temperatura, previnem enchentes e diminuem a contaminação dos lençóis freáticos. Em resumo, são essenciais para qualquer ambiente. Mesmo que, em Cunha, elas não estejam “na moda”, sua importância se reafirmará cada vez mais. E voltarão a ser plantadas, seja pelo poder público local ou pela própria população, pois a tomada de consciência é inevitável — e diversos projetos ambientais vêm surgindo em nosso município. O aquecimento global está aí. Todos vão precisar de uma sombra para se proteger.

Referências:
ESTADÃO. Quais são as cidades mais arborizadas do Brasil; veja ranking e mapa interativo. O Estado de S. Paulo, 17 abr. 2025. Disponível em: https://www.estadao.com.br/brasil/quais-sao-as-cidades-mais-arborizadas-do-brasil-veja-ranking-e-mapa-interativo/. Acesso em: 18 abr. 2025.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Panorama do Censo 2022: Cunha (SP). Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/. Acesso em: 18 abr. 2025.
______. Censo 2022: dois em cada três brasileiros moram em vias sem rampa para cadeirantes. Agência de Notícias do IBGE, 17 abr. 2025. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/43166-censo-2022-dois-em-cada-tres-brasileiros-moram-em-vias-sem-rampa-para-cadeirantes. Acesso em: 18 abr. 2025.

Censo 2022 aponta crescimento da população de Cunha

Contrariando as projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dos últimos anos, a população de Cunha voltou a crescer. Foram recenseados 22.110 habitantes em todo o município em 2022, durante a realização do Censo. Esse dado foi divulgado pelo IBGE no dia 28 de dezembro de 2022. Em Cunha já está 100% concluído, com os 74 setores censitários apurados. Portanto, o resultado apresentado já é definitivo.

Observando as projeções populacionais do IBGE de 2019, 2020 e 2021 para Cunha, nota-se que indicavam sucessivas quedas na população municipal. Como essas projeções se baseiam em tendências, é provável que consideraram a redução da população que ocorreu entre os censos de 2000 e 2010. Naquele Censo foram contados 23.062 habitantes; neste, 21.866 habitantes. Assim, ano após ano, o IBGE foi apontando um tênue recuo da população cunhense.

Todavia, em 2022 apurou-se o contrário: houve a interrupção dos sucessivos recuos, registrando um ínfimo crescimento (1,1%). Se isso será uma tendência para as próximas décadas, tendo em vista que a atividade turística vem se fortalecendo nos últimos anos, só o tempo dirá. A estabilidade ou crescimento de uma população depende, entre outros fatores, de uma resposta econômica. Não tem como a população de Cunha crescer sem a economia local oferecer, por exemplo, emprego aos jovens.

Após essa divulgação protocolar, veio a divulgação completa do Censo 2022. Houve um decréscimo da população em relação ao resultado preliminar, razão pela qual este artigo foi editado. Outros aspectos da realidade local vão sendo divulgados, mediante cronograma do IBGE. Aguardamos os dados referentes às taxas de população rural e urbana, à pirâmide e composição etária, à renda média, à escolarização, à religião etc. Com esses dados, é possível comparar com os recenseamentos anteriores e indicar mudanças e permanências no tecido social local.

Vista aérea da cidade de Cunha. Imagem: Guará Vídeo Drone (YouTube). Data: junho de 2022.

Resultados Preliminares
A população da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte (RMVPLN) chegou a 2,5 milhões de habitantes. Em relação ao Censo de 2010, a RMVPLN teve um acréscimo de 295.134 habitantes, o que corresponde a um aumento de 13% de sua população. A RMVPLN é composta por 39 municípios. Cunha foi o segundo município da região que menos cresceu, não acompanhando o patamar de crescimento regional. Ainda assim situação melhor do que nos 11 municípios da região (Cruzeiro, Campos do Jordão, Aparecida, Santa Branca, Piquete, São Luiz do Paraitinga, Bananal, Queluz, Redenção da Serra, Areias e Arapeí) que viram a sua população reduzir na última década.

O Jacuhy retornará à análise da população regional, quando o IBGE apresentar os resultados definitivos. Em alguns municípios da RMVPLN, o Censo 2022 ainda está inconcluso.

Referências:
BEAUJEU-GARNIER, Jacqueline. Geografia de população. Tradução de Leônidas Gontijo de Carvalho. 2. ed. São Paulo: Editora Nacional, 1980.
BROEK, Jan O. M. Iniciação ao estudo da geografia. 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1981.
DAMIANI, Amélia L. População e geografia. 9. ed. São Paulo: Contexto, 2009.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo 2022: acompanhe a coleta nas UFs e municípios. Disponível em: < https://censo2022.ibge.gov.br/acompanhamento-de-coleta.html?cod=3513603 >. Acesso em 11 jan. 2023.
______. Censo 2022: Tabelas – Prévia da População dos Municípios com base nos dados do Censo Demográfico 2022 coletados até 25/12/2022. Disponível em: < https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/22827-censo-demografico-2022.html?edicao=35938&t=resultados >. Acesso em 11 jan. 2023.
______. Censo 2022: Municípios: prévia da população calculada com base nos resultados do Censo Demográfico 2022 até 25 de dezembro de 2022. Disponível em: < https://ftp.ibge.gov.br/Censos/Censo_Demografico_2022/Previa_da_Populacao/POP2022_Municipios.pdf >. Acesso em 11 jan. 2023.